Dia do Animal – A nossa Roma

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A Roma nasceu a 22 de Outubro de 2016 e no dia 7 de Janeiro chegou a nossa casa. Nesse mesmo dia, sem saber, a Roma mudou as nossas vidas. Era pequenina, tímida e assustada e de imediato percebi que a iria proteger sempre, com tudo o que há em mim.

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Uns dias depois fomos à SOS Animal, ao veterinário, e depois de levar a vacina, a Roma começou a ganir e apagou-se, nos meus braços. Foi levada de imediato para uma outra sala e eu não sei explicar a dor que senti naquele instante, o amor que lhe tinha era já imenso e não suportava a ideia de perdê-la logo ali. As lágrimas caíam-me pelo rosto, sentia-me perdida, ela não nos podia deixar, eu tinha prometido protegê-la – mesmo que ela não o percebesse – e sentia-me a falhar. A Roma tinha feito uma alergia à vacina mas, graças à equipa fantástica de médicos, pouco tempo depois estava nos meus braços. Não quero imaginar o dia em que ela dê por cumprida a sua missão na terra – tal como me dói saber que o zorro, o meu gatinho, que a minha mãe quer bem junto dela, já está velhinho e um dia vai levar parte de nós com ele, mas o que ele nos deixa é incomparavelmente maior.

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Desde que assumimos a responsabilidade de sermos tutores da Roma que quisemos que ela tivesse uma vida equilibrada, em que fosse estimulada e não vivesse sozinha na maior parte do tempo. Começámos a treinar a Roma com a ajuda de um treinador especializado, fomos a aulas de socialização com outros cachorros e demos-lhe amor. Damos-lhe amor. Todos os dias, amor.

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A Roma ensinou-me muito sobre a palavra amar, sobre o dar pelo simples prazer de o fazer, sem esperar nada em troca. A Roma obrigou-me a ser mais atenta, a não precisar de palavras para perceber o outro, mas a olhar com vontade de entender, observando os sinais, as necessidades. Ensinou-me a respeitar o espaço dela, sem o direito de me impor…não somos um ser superior, os animais não têm de ser submissos. Viver com ordem é diferente de viver em submissão. Se ela não quer um carinho ela dá sinais, se está carente demonstra-o e se quer brincar chama-nos, só temos de ser atentos…e esta é uma lição para a vida.

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Um dia, li que os animais não precisam de viver tanto tempo como os humanos porque nós viemos ao mundo para aprender a viver e a amar e eles já nascem a saber a amar e viver, não precisam, por isso, do mesmo tempo que nós. E esse mesmo texto dizia que devíamos aprender a viver como eles…a correr para os que amamos quando os vemos, a aproveitar todas as oportunidades para ir passear e sentir o vento, o sol e a chuva. Devemos dormir mais sestas e espreguiçarmo-nos, sem vergonha, quando acordamos. Devemos alongar antes de nos levantarmos e se estamos felizes então vamos dançar, saltar. Se desejamos alguma coisa devemos escavar até encontrar. A felicidade pode existir numa simples caminhada. Fidelidade, amor, amizade, entrega, simplicidade, são coisas que aprendemos, todos os dias, com eles.

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A minha Roma, a nossa Roma, é uma companheira, uma amiga, que amo – amo tanto – é a minha menina. Há dias em que uma hora sem ela é uma eternidade. Minha confidente, com ela já ri e chorei, partilhei histórias e estados de espírito, até já fomos ao cabeleireiro 🙂

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O dia do animal é todos os dias, porque todos os dias eles devem ser amados e respeitados. Se a vida muda? Muda! Para melhor! É verdade que temos um ser que depende de nós, que temos de cuidar, de alimentar e amar, não podemos ir jantar despreocupados, sem antes nos assegurarmos que fica bem. E é verdade, também, que um animal traz para a nossa vida um amor incondicional, os dias tristes são menos tristes, os felizes são melhores ainda. Chegar a casa é intenso, olhar para eles é tranquilizante, fazem-nos esquecer aquilo que às vezes não nos queremos lembrar. A Roma obrigou-me a abrir gavetas da consciência, a pensar na forma como estou neste mundo e no impacto que as minhas escolhas e ações têm.

 

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ROMA, do fim para o inicio lê-se AMOR. O mundo precisa de mais amor.

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Cuidem, amem, protejam e denunciem quem não o faz.

A SOS Animal tem muitos meninos e meninas de quatro patas, cheios de vontade de encher a vida de alguém de amor. A SOS é apenas uma das muitas instituições que têm animais para adopção, alguns já nasceram na rua, outros foram vitimas de maus tratos e abandono…mas lembram-se de ter dito – uns parágrafos atrás – de que eles são muito melhores que nós? É verdade. Eles têm uma enorme capacidade de perdão. Eles só precisam de alguém que cuide deles e em troca esse alguém terá um amor e uma dedicação que não tem comparação.

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3 thoughts on “Dia do Animal – A nossa Roma

  1. Verdade Andreia os animais são maravilhosos, tenho um cão e dois gatos que me acordam todas as manhãs, que esperam por mim que me olham com olhar meigo consigo ver o que eles querem, consigo ver se estão felizes ou não e eles conseguem me dizer na perfeição o que querem de mim, são o melhor do mundo.

  2. Adorei o texto. O dia do animal seja qual for a sua espécie é todos os dias. Eu também tenho um Guga na minha vida. Adoptei o quando tinha dois meses e já lá vai 1 ano e meio de amor. O meu Guga foi abandonado. Quando o vimos foi amor á primeira vista. Não tenho filhos mas o meu Guga para mim é como se fosse um filho. O Amor que sinto por ele é enorme. É um amor correspondido porque o sinto. Tudo o que disse no texto revi me nele porque tudo o que contou nele vi me em situações iguais ou parecidas , mas a da história do veterinario quando o meu guga se magoou numa pata a brincar chorei tanto que parecia que o mundo ia acabar sem saber se ele estava bem e como iria ficar ( horas de aflição).Penso que situações destas só as mães as sabem explicar.
    Desejo á Roma e aos pais da Roma tudo de bom .
    Beijos para os três .

  3. Estou comovida com o seu texto sobre a Roma. Sou sua fã Andreia desde há muito tempo, pela sua simplicidade, autenticidade e simpatia. Sua e do Daniel, pessoa que também admiro muito. Fui visitar o seu blogue hoje pela primeira vez e adorei logo o primeiro artigo que li “A nossa Roma”. Também eu tenho um Dody na minha vida, veio para minha casa há 6 anos com 5 meses e mudou completamente as nossas vidas, minha, do meu marido e filha. Já sacrificamos férias e algumas saídas por ele. É um pincher, muito chegado a nós, muito meigo e mimado que fica triste sempre que falta algum de nós em casa.
    Parabéns pelo vosso trabalho, beijinhos que agora vou ler outros artigos💟

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