Tinha de ser assim para ser assim…

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Pensei muito sobre se devia escrever este texto. Não quero apenas partilhar a minha história, porque é uma história semelhante à de muitas mulheres. Escrevo estas palavras e as que hão-de vir porque vivi e vivemos episódios que são considerados tabu, sem que tenham necessariamente de o ser. Deixamo-nos condicionar pelo olhar exterior, como se, de alguma forma, a sociedade nos obrigasse a engolir a nossa dor em seco. Como se a nossa dor revelasse algo imperdoável sobre nós mesmas. Temos de estar sempre no nosso melhor, exalar felicidade, ser biologicamente aptas e viver à luz de um caminho sem falhas nem percalços. A somar a isto, acredito que para quem está mais exposto no seu contexto profissional esta ideia seja uma realidade ainda mais presente.

Houve amores que não conheci…

Não faço esta partilha como alguém que tem uma profissão pública, mas como mãe, mulher, que sofreu duas situações de aborto e que sentiu receio que os olhares dos outros devolvessem piedade ou comiseração. Acreditei que, ao saber-se, me acusariam de ser frágil e incapaz (que tolice a minha!), como se isso pudesse amputar a minha feminilidade. Falei com algumas amigas e é por saber o quão importante foi para mim que partilhássemos experiências que partilho agora a minha história. Se estas palavras servirem para ajudar alguém a libertar-se de um peso, que não tem de carregar, ou a continuar a ter esperança, já valeu a pena. Porque como mulher, percebi que éramos muitas e quando, muitas vezes, contava o que me tinha acontecido, vinham os desabafos de quem tinha vivido o mesmo, mas não tinha coragem de partilhar. Percebi que é mais comum do que se pensa ou do que se fala. Devíamos falar mais, que a experiência dos outros nos ajude a mitigar a nossa dor. Se não estamos cá para nos ajudar uns aos outros, estamos cá para quê?

Queria muito ser mãe, queríamos muito ser pais e, apesar da pressão pública, só quando sentimos que estávamos preparados, é que demos esse passo. Eu estava consciente de que dificilmente seria imediato – há sempre casos de quem engravida à primeira, mas eu tinha decidido pôr as minhas expectativas num nível moderado. Cada mês que passava sem que eu tivesse engravidado fazia ressurgir alguma tristeza, mas sempre procurei aceitar esse sentimento com tranquilidade. Enquanto isto, as pessoas iam perguntando sobre a maternidade, insistindo que já estava na altura.

Uns meses depois, o teste positivo chegou, a felicidade foi imensa. Fiz uma surpresa ao Daniel para lhe revelar a boa nova, escondi o telemóvel e filmei-nos abraçados e felizes. Nos dias seguintes, tirámos a primeira foto das muitas que iríamos tirar, que nos dessem o “filme” de todo o processo de gravidez. Foi a única que tirámos. Foram dias, semanas difíceis de gerir, de aceitar.

Um ano depois, a mesma alegria. Ou talvez mais. Agora seria real, a dor da perda estava vencida. Ouvir o coração do nosso bebé foi maravilhoso. Íamos ser pais. Partilhámos com família e amigos a nossa felicidade. Assim foi durante algumas semanas, até à véspera do meu aniversário. Foi aí que soube, pela segunda vez, que o meu bebé já não tinha vida. Era precoce – não tinha 3 meses –  disseram-me que ainda não era um bebé, não o devia ver como tal… mas era, eu já o tinha sonhado, eu já nos tinha sonhado: a nossa vida.

Tal como da primeira vez, ainda deitada na marquesa, tentei manter-me firme, não chorei quando em vez de ouvir o bater do coração, ouvi que o coração já não batia: “não há batimentos” – eu tinha pressentido que algo não estava bem, eu sabia que algo se passava com o meu bebé. Eu já era mãe e deixei de o ser. Na sala, tal como da primeira vez, o silêncio cortava e o nó na garganta não me deixava dizer muita coisa, nem era capaz de chorar… a vida mais uma vez puxou-me o tapete, mas eu não podia cair. O Daniel amparou-me, deu-me colo e só em casa desabei e me perdi em lágrimas. Quando entrei, a minha cadela veio feliz, como de costume, enrolar-se nas minhas pernas. Deitei-me com ela no chão, sentia (erradamente) que a culpa era minha, que tinha falhado mais uma vez. A Roma não sabia o porquê mas, curiosamente, deixou-se ficar o tempo que eu precisei e à sua maneira lambeu-me as lágrimas e ficou ali para mim, até eu me acalmar… sentia-lhe a respiração, serena, como se me ensinasse a respirar quando o ar me faltava.

O médico que me fez a ecografia  – e que me seguia na altura – pediu-me para voltar lá no dia seguinte, só para ter a certeza…. Foi uma noite dura, eu sabia que o meu bebé já não tinha vida dentro de mim, mas ao mesmo tempo havia uma ínfima réstia de esperança. Dia 11 de Abril de 2017 – dia do meu aniversário – a confirmação. Não cantei os parabéns – não nesse dia – não tinha forças para o fazer. Sentia-me perdida, vazia, e por mais que me tentassem animar…eu só queria dormir e acordar daquele pesadelo. Sim, eu sabia que não me podia entregar ao que estava a sentir, não era a primeira vez, mas agora doía mais, foi mais difícil de aceitar…e teríamos de dizer àqueles com quem festejámos que tínhamos perdido o nosso bebé – foi duro. Quis acreditar que se, mais uma vez, assim foi, haveria alguma razão. Hoje percebo que sim. A vida tinha de continuar.

Aprendi muito, aprendi também a ter mais cuidado com as palavras, primeiro porque não temos de exercer pressão sobre a vida dos outros e depois porque não sabemos o que o outro está a viver. “Estás com cara de grávida”, “Quando é que tens um bebé?” “Não queres ter filhos?”. Na maior parte das vezes, são comentários apenas para fazer conversa, bem intencionados, mas não deixam de nos magoar quando vivemos algo assim, uma dor que é nossa e só nós a entendemos.

Depois há os outros: comentários característicos de quem não vê além do seu umbigo e prefere maldizer porque é conveniente. Ouvi ambos, alguns deles durante o processo de perda. As palavras dos outros são, muitas vezes, como vidros que nos entram no corpo, que nos rasgam a pele, que nos ferem – até mesmo as bem intencionadas – ninguém sabe o que estamos realmente a viver, por vezes os sorrisos escondem lágrimas.

Da primeira vez, no dia em que soube, estava a fazer o Grande Tarde, antes da emissão do programa tinha uma produção fotográfica e fui, fotografei, engoli as lágrimas e sorri. Uns dias depois disseram-me que teria de ser internada, pedi para que fosse durante o fim de semana, queria ir trabalhar na 2.ªfeira, não me queria entregar àquela dor. Entrei sábado de manhã e saí no domingo ao final da tarde. Chorei quando acordei, já no recobro, não havia dúvidas. No dia seguinte, lá estava eu em direto. Corroída por dentro. Fingir que nada tinha acontecido era a minha fuga e também uma forma de me proteger. Precisava de tempo. Tempo para me despedir do que vivi até ali, dos planos que tinha feito para nós, mas não era momento de parar, não podia, eu ainda não estava preparada! “É normal, acontece a muitas mulheres,  elas é que não partilham porque acham que é algo que está errado com elas, às vezes sentem vergonha” – dizem alguns especialistas. Certo, acontece a muitas mulheres, é normal, mesmo que doa e doeu muito! É errado achar que o problema somos nós e que somos menos por isso, não temos de nos envergonhar de ter uma gravidez que não progrediu. Partilhar ou não é uma questão de opção, mas que não seja a vergonha ou o receio do que possa ser dito a ditar o que fazemos, e infelizmente é isso que acontece na maior parte das vezes. Não somos menos por isso, não estamos em causa por isso. Algumas mulheres até se terão tornado mais fortes.

Há um luto: o luto do que foi imaginado, sonhado, um luto do que sentimos, do que vimos acontecer no futuro que sonhámos, do coração que ouvimos bater pela primeira vez…um luto que não se veste de preto mas nos invade e nos deixa às escuras, mesmo que por instantes. E depois?   Resta-nos seguir em frente e deixar que o tempo se encarregue de nos dar mais uma oportunidade. Confiar. Sabia e sei que há histórias mais difíceis do que a minha, mas os finais felizes existiam nos vários cenários e essa esperança era essencial, apesar de ter criado um plano B – um plano sem filhos biológicos, essencial para a minha sanidade e felicidade – eu alimentei-me de esperança e ela manteve-me firme. Foquei-me no que me fazia bem. Concentrei as minhas energias de forma positiva e canalizei-as para o que era importante, centrei-me nos meus, na vida, no trabalho, no meu casamento, no amor e aproveitei ao máximo o tempo que a vida me deu.

O dia chegou, Outubro de 2017, um novo teste positivo. Estava feliz, mas cautelosa, o medo estava presente mas não queria ser tomada por ele. Estava grávida. Mas quando os outros ficavam eufóricos com a notícia, nós vivemos até ao último dia com um alegria contida. Sem muitas fotos, sem muitas partilhas.

Em Maio de 2018, tinha finalmente a minha filha  no peito. Ela chorou. E eu senti que era real: “sou mãe”. E chorei. “Tens-me aqui filha, sou tua, para sempre.”

Hoje quando os nossos olhos se encontram e ela me sorri, percebo que tinha de viver o que vivi para a Alice fazer parte das nossas vidas. Tinha de ser ela. Estávamos guardadas uma para a outra. Ela nasceu e eu nasci também!  Nascemos para uma nova vida…

 

(continua, em breve)

 

Andreia Rodrigues

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158 thoughts on “Tinha de ser assim para ser assim…

  1. Olá Andreia!
    Não sei se faço bem em escrever, mas talvez ajude a ultrapassar um bocadinho a dor que sinto neste momento! No dia 28 de Agosto descobrimos que estava grávida, foi uma alegria tremenda! Corremos para contar aos mais chegados, meu Deus, como ficaram contentes… Depois desse dia o amor por aquela “coisinha” na minha barriga foi crescendo cada vez mais e mais!! Às 8 semanas tive de ir ao hospital com um bocadinho de dores no estômago e logo fizeram uma ecografia para ver se estava tudo bem com o bebe! – Logo aí a médica nos disse que para já ainda não conseguia sentir o coração do bebe, mas para não nos preocuparmos porque ainda era muito cedo e tínhamos de esperar mais umas semanas!
    Uma semana depois, acordei durante a noite com pequenas perdas de sangue, fomos a correr para o hospital, e, infelizmente a médica voltou a dizer o mesmo: “Continuo sem sentir os batimentos cardíacos”! Por dentro morri!!! Voltei para casa e na manhã seguinte recebi a “chamada”… “Falei com a minha superior e ela diz que se trata de um aborto, peço-lhe que torne esta tarde para tomar a medicação”! A partir desse momento é fácil adivinhar o que aconteceu!!!!
    Foi a coisa mais difícil que fiz em toda a minha vida, e esta dor teima em não ir embora!
    Mas ao mesmo tempo tenho medo que ao ir embora eu possa esquecer o quanto amei e amo esta “coisinha” que tinha dentro de mim!
    A única coisa que me fez sorrir depois de tudo o que aconteceu foi a boa notícia que recebi: “ daqui a poucas semanas vai poder voltar a tentar”!
    Obrigada por partilhares a tua história!

  2. Ola Andreia, senti cada palavra tua, também perdi o meu menino…aos 8meses de gravidez. Uma dor imaginável….. obrigada por partilhares a tua história. Um bem haja. Beijo e um abraço enorme.

  3. Dia 10 de outubro deste ano tive a confirmação de que tinha abortado.
    Nesse dia estive no tribunal num julgamento, sim sou advogada, e só pensava caramba, como é difícil ser mulher e termos de trabalhar mesmo sabendo que temos um filho ou filha morta dentro de nós… crueldade… só a vida é que sabe o porque de termos de enfrentar, sentir e viver assim… sentir e ter de ver a sair dentro de
    Mim um filho, por mais pequeno e sem formato que tenha… é inexplicável… beijinho para a Andreia… e tente responder a nos… mulheres que vamos acompanhando o seu percurso…

  4. ola Andreia…sei bem que esta publicação já foi feita a algum tempo, mas só agora conheci a tua historia. Desde já parabéns pela tua princesa e pela coragem de dares a conhecer a tua vivência.

    Eu também perdi um filho às 39 semanas, foi a primeira gravidez e psicologicamente não foi nada fácil. Todos os medos de não poder controlar o que está dentro de nós e a impotência de não podermos fazer nada perante a natureza e o “destino”.

    Então as 12 semanas tive uma perda de sangue, pequena mas fui às urgências. O medo era muito de o sonho ir por água abaixo,mas depois de examinada o médico disse que estava tudo bem e recomendou repouso absoluto. Deixar de trabalhar e ficar em casa a pensar em coisas que devemos mas muito mais em coisas que não devemos foi horrível.

    As 13 semanas fiz a 1ª eco, estava tudo bem e fiz o rastreio ao síndrome de down. O exame bioquímico deu positivo. O médico disse que existem muitos testes que são falso positivos que teria de fazer uma anmiocentese que ai sim teria-se a certeza pois qualquer anomalia cromossómica seria detectada pois seria retirado liquido anmioóico, mas os resultados demoravam pelo menos 3 semanas a saberem-se. Pois foi uma espera interminável!!A dúvida do que fazer, não vou mentir a hipótese de abortar passou pela minha cabeça. Ter um criança diferente não é fácil, a descriminação, a falta de apoio a estas crianças, a falta de possibilidades de uma vida normal. Mas por outro lado eu tinha muito amor para dar mas seria o suficiente para ela ser feliz na vida?! Esperei pelos resultados e acontecia o que tivesse de ser. Os resultados vieram e deram negativos. Um alivio enorme e uma culpa enorme de ter ponderado a interrupção da gravidez, quem era eu para decidir quem vive e quem morre?! Passou e está tudo bem é o que interessa!

    As semanas foram passando, senti o bebé mexer, pouco mas sentia!! Os meses foram passando e eu sentia sempre um medo enorme dentro de mim…o bebé mexia pouco eu mal o sentia!em conversa com amigas (uma mãe recente e outra com menos um mês de gravidez que eu) falávamos e os delas mexiam muito e o meu menino não, mas como sou gordinha pensei que fosse por isso que não sentia tão bem. A médica dizia que não tinha problema que ele estava bem nos exames de CTG embora fosse sempre muito complicado ouvir os batimentos do coraçãozinho.
    Estava com 39 semanas, faltava 3 dias para a data prevista do parto. Foi numa 2ª e de manha não senti o bébé mexer, mas como ele se mexia tão pouco dei mais um tempo. As horas passaram e o alarme na minha cabeça começou a soar. Eu dentro de mim sabia que alguma coisa não estava bem. Preparei-me para ir para o hospital, lembro-me de olhar para a alcofa do meu menino e pensar “não sei não”. O meu marido chegou e fomos para o hospital. Chegando lá disse que não senti o bebé durante o dia todo. Há profissionais que não tem um pingo de sensibilidade nem devia estar em contacto com as pessoas. A médica que me atendeu ridicularizou a situação porque tinha feito o ultimo CTG na 5ª e ia lá na próxima 5ª, não percebia a preocupação e disse com um ar arrogante “mas pronto deite-se lá para ouvir o coração do bebé”. Deitei-me e ela esteve uns minutos e depois pediu-me para ir para outra sala para fazer numa outra máquina. Chegando lá ainda me disse e a abanar a minha barriga “estas barrigas gordas”. Mandou chamar um enfermeiro que esse sim foi impecável e ai eu tive a certeza. Pediram ao meu marido para entrar e então a medica disse “temos um problema”.

    Tudo caiu, a minha memória está em branco só já me lembro de estar num quarto. As lágrimas não caiam estava em choque…a sensação era que estava a sonhar. O enfermeiro colocou-me num quarto sozinha e explicou-me que me iria induzir o parto, e seria um parto normal. Que me iriam dar a epidural logo que possível porque não precisava de passar por essa dor e perguntou-nos se queríamos ver o bébé. Uma resposta unânime, se calhar um pouco incompeendida, não queríamos ver…a dor de o ver sem vida…não ia suportar! Preferia guardar a imagem que eu já tinha idealizado do seu rostinho. Depois o momento de contar aos nossos pais que estavam tão babados com a chegada do primeiro neto, tal como nós do primeiro filho…um sofrimento enorme e na minha cabeça uma incrível paz e aceitação da situação não sei explicar a situação, na minha cabeça a explicação mais plausível era “se não aconteceu era porque não era para ser, a natureza é sabia!!” amenizava a dor pensar assim. Uma noite e terrível com o meu marido a dormir num cadeirão ao lado da minha cama, um acordar e dar conta que nada foi um sonho e o cair na realidade novamente. O meu bébé já não existia mais e tinha um parto para fazer. Nunca fui de me vitimizar e muito menos gosto de mostrar o meu sofrimento as outras pessoas. Ver as outras pessoas sofrerem por mim sempre me deixou mais nervosa ainda. Então tentava manter um sorriso na cara a todos os profissionais que me acompanharam, tímido mas um sorriso, também como forma de agradecimento pelo apoio que estava a sentir.

    Passaram horas e as contracções vieram, a epidural foi dada, as águas foram rebentadas e o bebé não estava numa posição muito boa para sair. levaram-me para a sala de partos e então o meu cérebro bloqueou…um pânico, uns nervos incontroláveis, o meu corpo tremia tanto que saltava na cama, nunca tinha passado por tanto pânico…estava acontecer ia ter o meu menino mas sem vida…aquilo era tudo real não dava para fingir que não. Que dor…
    Tentaram colocar o bebé numa posição favorável à expulsão mas não deu e então tive de ir para uma cesariana. Parece cruel “obrigarem”a uma mãe passar pelo processo de um parto para dar à luz um filho sem vida. Mas é normal e é sempre a melhor opção, pois não se sabe bem à quanto tempo o bebé morreu e numa cesariana a probabilidade de uma infecção no sangue e útero é muito grande. E foi o que me aconteceu estive uma semana no hospital com uma infecção que não passava. Uma semana interminável com tudo a desabar na minha cabeça. O meu marido deixou de poder lá dormir, mas deixavam estar lá o dia todo comigo. As visitas de amigos, familiares a compartilhar a nossa dor, os bebés nos quartos ao lado a chorar e eu ali sem o meu. Não foi fácil nada fácil aquela semana.

    Depois tínhamos um funeral a tratar. Sim temos de fazer um funeral. Como se trata de uma coisa dessas?!Nunca fiz e a primeira vez é para o meu filho!!Que injusto passava na minha cabeça. A paz e aceitação começa a desaparecer e “o porquê nós, porquê assim, o que fiz eu?!” começam a pairar na minha cabeça. Foi muito intenso a decisão do funeral para mim e para o meu marido. Decidimos fazer cremação para quando estivéssemos preparados espalhar as cinzas numa linda arvore em que a vida dele continuasse de outra maneira. Onde podíamos visitar o nosso menino num local tranquilo e de paz.

    Os dias passam e o não conseguir tratar de nada dentro daquele hospital consumia-me. Precisava sair dali para continuar o meu processo de luto!

    Passado uma semana dentro do hospital deram-me alta mas muito reticentes pois a minha pressão arterial estava muito muito alta. Todos sabiam que não era fácil as condições emocionais que estava a passar embora a tivesse uma postura de tranquilidade. Mas lá fomos nós tratar do funeral do nosso menino. E mais uma vez há pessoas com tão pouca sensibilidade que me revolta imenso. Fomos a uma agência funerária e falamos na cremação. O homem tentou impingir um funeral normal, sepultado num cemitério distrital onde não temos família e não temos campa, nada…tens direito a colocar lá o bebé num espaço destinado para nados-mortos. E nós voltávamos a falar na cremação e ele falava da diferença de preço e que não fazia sentido cremar. A frase “não faz sentido cremar” saiu tanto daquela boca que a minha vontade era levantar e deixa-lo a falar sozinho. Mas apenas respondi sem controlar as minhas emoções “a cremação pode não fazer sentido para si mas para nós faz!” deixei acabar o orçamento e fui embora com o coração tão cheio de dor de haver pessoas com tão pouca sensibilidade, sei que lidam com isto todos os dias e a dor das pessoas para eles já é uma coisa banal, mas tem de haver respeito pela dor das pessoas. Fomos a outra funerária e o atendimento foi completamente diferente. O senhor que nos atendeu tem um negócio para fazer mas um lado de compreensão e compaixão enorme. Explicou tudo mas não impingiu a sua opinião, simplesmente fez o que queríamos e trouxe aquele momento muito difícil para nós uma certa paz de as coisas estavam a ser feitas como idealizamos.

    A chegada a casa também custou muito, os planos tinham ido por água a baixo. O meu marido na minha ausência foi arrumando as coisas com receio da minha reacção. Foi difícil mas virei-me para ele e disse ” sou feita de aço e vou ultrapassar isto”.

    Chegou o dia de irmos buscar a urna. Uma urna pequenina branca como um anjo. Muito difícil o pegar na urna…é a única maneira possível de ter o meu bebé nos meus braços. Chorei muito e uma dor enorme, mas as coisas são como são e não podemos fazer nada contra o que está escrito e destinado para nós.

    Os dias passaram, dias bons dias menos bons, mas os dias passaram…
    Quando a médica nos disse que podíamos tentar novamente se estivéssemos preparados, nós estávamos preparados.A vida tem de continuar nunca vamos esquecer o filho que perdemos mas queremos tentar ter outro bebé. E assim foi 4 meses depois faço o teste e estou grávida! A felicidade e a mistura de um medo estava presente na minha pessoa. Mas agora vai correr tudo bem dissemos um para o outro.

    Fui à médica e fez uma eco, estava de 6 semanas estava tudo bem. Na semana a seguir tive um sangramento, muito maior que o da primeira gravidez! O pânico e aquela sensação voltou e lá fomos nós ao hospital! Fizeram eco e estava tudo bem com o bebé, repouso e repouso.
    Lá fui eu para casa, a pensar não pode acontecer pior que da primeira vez por isso seja o que for. Passado uma semanas fui fazer nova eco para ver como estava e estava tudo bem. Voltei ao trabalho sem fazer esforços e sentar o máximo possível. Ate que duas semanas depois ao descer as escadas coloco mal o pé e caio. Nesse dia fui duas vezes ao hospital, pelo pé que tinha uma entorse e á tarde com novo sangramento. Na minha cabeça só passa uma coisa “o que é que fiz para merecer isto tudo”. Podia ser diferente, podia ter uma gravidez tranquila, mas não a vida nunca foi fácil porque haveria de ser agora?! Repouso novamente agora duplamente, pé e descolamento da placenta.

    Hoje vou fazer a ecografia das 13 semanas…e vou dizer estou com muito medo. Como sei que está tudo bem? Ainda não dá para sentir o bebé, como sei?! Parte de mim acredita que vai tudo correr bem, mas outra está com tanto medo e não sabe como vai reagir a uma segunda perda.
    A vida é assim não podemos fazer nada, apenas tentar perceber o que temos de aprender…aprender sobre nós, a nossa força, a superação e a coragem de seguir em frente arranjando forças por vezes nem sabemos onde. O nosso objectivo é ser feliz e os caminhos por vezes são difíceis e mais difíceis ainda de perceber mas nós não desistimos.

    Desculpa o texto longo, mas nunca falei sobre isto assim e quero dizer que me fez bem, no meio de muitas lágrimas e soluços ao longo do texto…sabe bem falar!!!

    Beijinhos

  5. Olá Andreia, que texto lindo, triste e com um final feliz ao mesmo tempo…
    Eu, Há três anos que vivo uma dor que ninguém nota, que não consigo partilhar com ninguém e muitos menos explicar… hoje descobri aqui que somos tantas, e que infelizmente acontece todos os dias!😭
    Em abril de 2016 com 24+6 semanas fui obrigada a tomar a decisão da minha vida, se continuava com a gravidez do meu manel ou se seguiria para o processo de interrupção… tinha apenas 250gr, acho que não iria sobreviver, mas fica sempre o “SE”, e este “SE”, DÓI TANTO, porque eu? Porque tive eu de escolher entre seguir e matar o meu menino? Que injustiça, mas o medo de ter paralisia cerebral era muito, pois havia muitas hipóteses de tal acontecer… lembro me de seguir pelo corredor cheia se dores pois tinha chegado a hora do parto, e aquelas grávidas a olhar para mim a abraçar aquelas barrigas e a chorar por me verem num estado lastimável, rostos que nunca vou esquecer… durante 7h em trabalho de parto ouvi vários bebés a nascer, que dor, que revolta, gritei tanto, a dor psicológica apoderou se da dor física, já era dois em um, nenhuma anestesia já me fazia efeito… muitas foram as vezes ao longo dos meses que me fui abaixo, doeu mas segui em frente…
    Setembro de 2017, tão contente que eu estava, iria à primeira consulta com 9 semanas, e… já não se ouvia o batimento… o chão foi me tirado como um terremoto, voltou a doer, mas desistir nunca!
    Em Maio de 2018, grávida de novo, comecei a perder sangue até que acabou por perder os batimento do seu tão pequeno, minúsculo coraçãozinho, 9 semanas apenas e mais uma vez um chão que é tirado…
    Hoje estou grávida de 8 semanas e o meu pânico é a todos os segundos enquanto estou acordada, idas infinitas à casa de banho ver se tenho sangue… mas todas essas idas têm sido uma Vitória…
    Infelizmente não conseguimos estar felizes, às vezes até me esqueço que estou grávida, penso que é a barreira a dizer me para não me pegar a esta barriguinha que já está tão negra de tantas injeções, projeffik e Heparina (injeção na barriga) é o que todos os dias tenho de tomar para tentar que desta vez corra bem! Detesto agulhas e tem sido um verdadeiro terror para mim… mas pronto, tenho um bom feeling e espero que desta venha o meu bebé, e que o meu medo e pânico acalme, se não fico louca…
    Mas um dia de cada vez, uma semana de cada vez… as minhas estrelinhas olham por mim! Desculpem o desabafo mas depois de ler o que escreveste, apeteceu-me partilhar a minha dor…
    Obrigada por me “ouvirem” e parabéns pelo pela tua Alice…

  6. Olá Andreia, ao ler as tuas palavras, identifico-me com elas. Sei bem como é essa dor. Tenho uma filha com 4 anos, maravilhosa e que amo incondicionalmente, é a primeira e ainda tenho esperança de lhe conseguir dar o mano ou a mana que tanto pede. Já passei por três abortos, depois da minha filha, num intervalo de ano e meio, todos eles às 8 semanas, e só foram descobertas nas ecografias. Das duas primeiras vezes saíram naturalmente e na terceira vez tive também de ser aspirada. Senti e ainda sinto essa dor, perguntei-me muitas vezes”mas porquê que só me acontece a mim?”,”o que é que fiz de errado?”. Voltei ao médico um mês depois e quis saber o motivo dos três abortos consecutivos, após os exames de rotina descobri que estava com um problema no sangue e que por isso os fetos não evoluíam. Neste momento, estou a fazer medicação e a tentar novamente.
    Muitas felicidades para ti, para a Alice e Daniel.

  7. Olá Andreia, chorei em cada palavra escrita porque também passei por essa dor 2 vezes, foi em 2016 o primeiro em abril e o segundo em junho, tratada de forma desumana nas urgências com a resposta médica ( nada de batimentos cardíacos, isso vai ter de sair) o isso a que se referiram era o meu amor maior, o meu desejo, o meu sonho.
    Consultas de infertilidade, exames e mais exames e nada de conseguir engravidar novamente, tinha exame marcado para julho de 2017 para prosseguirmos para inseminação e para minha alegria nas vésperas fiz um teste e deu positivo, o medo apoderou-se de mim, aquele sentimento de que iria voltar a acontecer, não vivi a gravidez como devia, nada de fotos e nada de compras para a bebé.
    Em março de 2018 rebentam as águas e até ouvir o choro da minha filha a única coisa que me passava pela cabeça era que estava a ser bom de mais e que iria nascer sem vida, mas não graças a Deus ouvi o choro e aqui tenho a minha Leonor com 6 meses que enche o meu coração todos os dias de alegria, adoro sentir o cheiro dela e até mesmo ouvir o seu choro e não consigo descrever o amor que sinto por ela, não tem explicação.
    Obrigada pela coragem em falar deste assunto porque eu não a tive e ainda hoje choro se tiver que falar.
    Desejo as maiores felicidades aos papás e á Alice.
    Beijinhos e tudo de bom.

  8. Sou mais uma mulher com uma história muito parecida e com um final feliz, o meu maior sonho era ser mãe mas por motivos profissionais e por querer um pai para o meu filho tive a minha
    primeira gravidez planeada com 39 anos, dois abortos antes da minha princesa, o primeiro com umas 8 semanas, comecei por sangrar e ao fim de uns dias abortei, o segundo umas 10 semanas, sangrei e quando fui ao hospital não tinha batimentos, no meu caso uns compromidos vaginais e expeli uma espécie de ovo, passada uma semana estava tudo limpinho, nem parecia que tinha estado grávida…dói tudo o coração, a alma e o corpo, um mês de baixa, no primeiro não quis, umas férias no Gerês e passado mês e meio do aborto pensava que o mesmo tinha feito complicações no meu organismo, inchada, chorava muito e não me sentia bem, procurei um ginecologista expliquei-lhe e ele sim pode ser do aborto, mas não, estava grávida de quase 7 semanas, pelo meio faleceu a minha sogra, cerca de dois anos de muito convívio e os diabetes gestacionais e tal como deve ter acontecido coma Andreia uma luta Contra o pessimismo, durante a gravidez a idade aliada ao medo, as pessoas tal como dizes umas ignorância outras maldade, era cada dor até me doia o peito, mas graças ao meu companheiro incansável, minha família em especial a minha irmãzinha de coração e sangue e meus anjos, obrigada pais, obrigada Deus e a todos os que nunca me abandonaram tenho uma princesa de 26 meses, mas muito reguila….obrigada Andreia por partilhares a tua história e acreditem mulheres muitas vezes temos mais força do que pensamos 😘😘😘

  9. Olá Andreia, grata pela partilha.
    Compreendo a sua dor, passei pelo mesmo, a perda de um filho é e será sempre um colo vazio uma dor sem fim.
    Durante 9 anos a tentar engravidar, e cada vez que a menstruação vinha era uma desilusão, uma incapacidade de ser mãe, de reproduzir, o sentimento de falha.
    Durante nove anos a ser seguida por uma médica que afinal de contas, não seria a medica mais adequada para mim, julguei eu, sabia perfeitamente que a nossa intenção era ter filhos, mas para ela o meu problema passava pelo meu excesso de peso, e dai as recitas de medicamentos para a perda de peso, na altura pesava 80kg, chegava a pensar bolas vejo tanta gente mais forte que eu e tem filhos…, em momento algum me pôs a regular a menstruação sabia que era muito irregular, tinha meses que não tinha menstruação, tinha meses que tinha mais do que uma vez, ela sabia disso e ainda assim, desconsiderou.
    Até na noite da passagem de ano 2013 para 2014, tive uma dor como uma cólica, pouco antes de bater as 12 badaladas fui á casa de banho, e mais uma vez a tristeza assombra-me, no meu pensamento era a menstruação, nos dias a seguir já não tinha nada, mas acordava muito mal disposta e enjoada, até que ao quinto dia fui comprar um teste, e deu positivo, não sei como explicar foi uma felicidade que nos abraçou de tal forma que não nos contivemos e partilhamos com a familia, mas eu sabia eu sabia bem lá no fundo que aqula mancha de sangue não seria bom.
    Liguei para a médica, marquei consulta só ao nono dia lá fui, examinou me e só me diz” porque é que só ao fim de 11 semanas é que marcou consulta?” eu perguntei-lhe o porquê da pergunta, ela respondeu me sim esteve gravida mas perdeu o bebé… sim foi exactamente assim, eu estava sozinha numa tristeza sem fim por momentos só me apeteceu dar lhe um estalo, então eu nem sabia que estava gravida até aqueles sintomas aparecerem, eu não tinha a menstruação regulada algo que ela sabia, eu nem conseguia fazer as contas do período fértil, como pode ela falar assim comigo???
    Ela fez-me a questão se eu queria esperar pela expulsão, ou se preferia a medicação, eu disse pela expulsão, e mandou me para casa, e a mesma não demorou muito a chegar, entre calafrios, dores horríveis e muita má disposição, entre varias caminhadas á casa de banho eis que chega uma e sinto um barulho bloc puf sei lá, nesse mesmo instante desatei a chorar, e a pensar que a culpa foi toda minha que eu exagerei nos pesos no trabalho que dias antes da passagem de ano abusei a carregar a mesa para os convidados, culpei me tanto mas tanto que nem ao espelho me consegui ver durante dias, e foi nesse momento que percebi que a expulsão se deu, não tive coragem de olhar, e mais ninguém olhou, porque não estava mais ninguém comigo, enfiei me na cama o resto da manha e a tarde sem comer, sem nada até o marido chegar, e lhe dar a noticia, foi o pior dia das nossas vidas, foi um Amor que amei por poucos dias, mas amei, amamos, e sonhamos, mas dorou pouco tempo.
    Decidimos mais tarde recorrer a outra médica, que me regularizou a mentruação, fez os exames que tinham de ser feitos e durante um ano colocou-me a medicação para ajudar a ovular, viu que não resultou e encaminhou-nos para Coimbra, onde fomos seguidos lá durante ano e meio, e nada, nada de concreto.
    Decidimos ir a uma clínica particular, também em Coimbra e eis que em Fevereiro de 2016 fazemos a segunda transferência, sempre muito apreensivos mas com muita esperança e fé, e correu muito bem, tinha de ser assim, Andreia fomos brindados com os dois reguilas mais lindos das nossas vidas uma menino e uma menina, a nossa razão de viver o nosso maior Amor, Um Amor Para a Vida Toda certamente.
    Resolvi partilhar isto consigo, porque acho que merece, porque é uma guerreira, todas somo umas guerreiras, somos mães, sofremos antes e depois mas acima de tudo devemos estar bem connosco próprias apesar de toda a dor que carregamos dentro de nós, de forma a que o futuro próximo seja mais doce para connosco, afinal de contas todas merecemos.
    Não desfazendo das que continuam a sofrer,e das que nunca tenho sentido isto na pele, até porque muitas por vezes nem chegam a engravidar e que nunca poderão ter filhos, acredito que a dor seja tão cortante e tão má, e ai sim estas mães de sonho merecem todo o nosso apoio também.
    A todas as Mães de colo vazio e mães de Sonho um grande beijinho e muita força

  10. Olá Andreia acho que todas nós sentimos uma culpa que não devemos, em 2010 uma gravidez inesperada”bateu-me à porta” primeiro o choque, depois a felicidade tinha um ser no meu ventre, era a minha segunda gravidez já tinha uma menina de 5 anos de um casamento anterior, 12 semanas primeira ecografia o meu companheiro não me quis acompanhar fui sozinha, mas cá dentro no peito um aperto grande no meu íntimo sabia que algo não estava bem, uma tia que é enfermeira no hospital veio me acompanhar entusiasmada, eu estava faladora bem disposta como me é característico quando a doutora põe o som coração do meu bebé a bater mas logo tirou e pede silêncio gelei olhei para o ecrã e percebi que algo não estava bem, diagnóstico translucencia da nuca de 2.7 tudo a tentar me animar que não era nada acontecia diversas vezes bla bla bla mas os olhares não enganava era muito grave, foi uma angústia esperar pela amniocentese pelo resultado e uma dor enorme porque a barriga já se notava davam nos os parabéns. Erradamente tínhamos contado a várias pessoas. Resultado trissomia 13 mas com todas as anomalias possíveis e imaginárias ou seja incompatível com a vida foi como se me tirassem o chão,isto foi uma quinta-feira, fui internada na sexta o pior fim de semana da minha vida. Fui medicada para matar aquele ser no meu ventre e para o mesmo ser expulso, foi duro uma sensação de impotência de fracasso como eu não pude proteger aquele ser o meu bebé, o momento de expulsão foi de uma violência às lágrimas simplesmente rolavam me pelo rosto, assim como a enfermeira que estava comigo foi de um carinho extremo. Fui para o bloco para ser aspirada felizmente com anestesia geral não tenho memória desse momento mas o acordar a sensação de vazio o meu bebé já não estava lá. Uma culpa inexplicável senti que tinha falhado, a nossa mente é sem dúvida muito traiçoeira às vezes o nosso maior inimigo. Foram feitos exames ao feto a nós, conclusão que não era culpa nossa nós éramos saudáveis e compatíveis era uma daqueles casos que acontece 1 em milhões, mas nem por isso me senti melhor, pelo contráriodepois vem a pergunta porquê eu, porquê a mim? Durante muito tempo não falei do assunto afinal tive pessoas bastante sensibilizadas mas tive pessoas sem filtro que me magoaram e aumentaram a minha dor.
    Neste momento estou grávida de 30 semanas não contamos a ninguém porque se tivesse que passar por tudo outra vez ia fazê-lo “sozinha”, estava num estado de nervos num pânico que ninguém imagina fui ao particular pagar por inteiro onde fiz 2 para despistar todas as hipóteses, fui ao sistema público onde continuo a ser seguida porque estava simplesmente em pânico de ter que passar por tudo aquilo outra vez. Depois de nos terem dito que o nosso bebé estava bem aí sim fomos contando. O Salvador é um bebé bem mexido que dá algum trabalho à doutora sempre que é dia de eco, mas esperamos por ele ansiosamente.
    Um beijinho muito grande para si Andreia e as maiores felicidades para a Alice e acredite não está sozinha. 😘😘😘

  11. Ler esta experiência tocou-me mais do que se possa imaginar.
    Uma partilha profunda e que a meu ver ajudará muitas mulheres, e talvez até algumas que, como eu, nunca tenham passado por essa perda.
    Sabem aquela pergunta típica que nos fazem em crianças? “Então e o que queres ser quando fores grande?”, pois a minha resposta, a única que para mim fazia e ainda faz sentido: ser mãe! Neste momento 2 anos e meio de tentativas, sem sucesso. Todos os meses a esperança está lá, em cada tentativa, e o tempo passa e faço por pensar que se ainda não aconteceu é porque tem de ser assim e um dia e chegará a hora. Uma gravidez implica 1001 coisas, que às vezes nos ultrapassam. Seja por excesso de peso, idade.. obrigada de coração por esta partilha. A mim sem dúvida marcou e recobrou um pouco mais de força e esperança.

  12. Lindo. Tal é qual. Também perdi um bebé com 15 semanas de gestação em 2014. Uma dor sem medida, um vazio. Achava eu que pior não havia. Ainda em 2014 novamente descobri que estava grávida novamente, fiquei feliz mas ao mesmo tempo ansiosa. O tempo foi passando,as eco eram todas normais. Finalmente chegou Junho de 2015 o meu menino ia nascer. Nasceu lindo, maravilhoso a primeira vista saudável. Em pouco tempo a felicidade, dinuindo. Algo se passava. Sim o meu sonho, virou pesadelo. Não pelo filho lindo que tinha no colo, mas pelo que ia ouvindo dos médico. Pediu em Março de 2016. A sim o meu amor maior partiu,com 9 meses e 4 dias. Lutou duram 9 meses como um guerreiro. É o meu orgulho. O ano passado, em Outubro, descobri que estava grávida novamente. Um misto de emoções. Tinha de esperar pelo teste da genética para ver se este bebé não tinha a mesma doença do mano. No dia 28 de Novembro chegou a notícia. Não ele não tinha nada, nem sequer é portador dessa maldita doença. Em Maio deste amor, nasceu mais um amor meu. Nenhum tira o lugar de nenhum. Amo-os e ponto.
    Tenho pena que existam pessoas que acham que como já não estão cá, já não tenho que pensar nele. Que me digam que só tenho um filho. Essas
    pessoas não imaginam a dor que eu sinto nesse momento. Logo eu respondo tenho 2. Pode não estar cá mas vai ser sempre meu.
    Obrigada pelo texto fantástico. É pena que muitas pessoas não o leiam.
    Beijinhos 😘

  13. Olá Andreia, temos várias coisas em comum, nesta história triste,mas com um princípio de final feliz. Para começar temos o mesmo nome,também passei por 2 abortos, um com 4 meses e outro com 2 e meio, dos dois tive que ir para o bloco operatório. Dor que nunca vai passar, mas ficou ali escondida. Foram 5 anos que passei num autêntico turbilhão de emoções. Mas valeu a pena, tinha um desejo desde pequena que era ser mãe e ter uma filha chamada Alice e assim foi. Tenho a Alice com 3 anos ,meu amor,meu primeiro grande amor e agora estou grávida de novo e se tudo correr pelo melhor(que vai correr), daqui por um mês terei o Rafael nós meu braços. O meu sonho de ser mãe de um casal realizou se. Não há palavras para este amor,nem o consigo descrever. Amo ser mãe.beijinhos

  14. Obrigada pela sua partilha hoje no programa da Júlia. Tal como diz no seu texto , a perda é um tabu . E a perda dói muito . Mas às vezes a partilha ajuda a atenuar . Assim foi comigo . Deixo aqui o meu blog , com um texto que conta o meu colo vazio . E se um dia tiver paciência , tem outros textos que contam a minha perda . https://maededuasestrelinhas.blogs.sapo.pt/e-quando-o-nosso-colo-fica-vazio-depois-1679
    É tão importante dar voz às mulheres que perdem os seus filhos . Seja antes ou depois de nascerem. É um processo muito duro.

    Parabéns pela sua Alice . E pela sua força . ❤️

  15. Ontem não tive oportunidade de ver o programa da Júlia. Mas acabei à pouco de o fazer.
    Senti tudo o que disseste.
    A vergonha de falarmos do que aconteceu e de sentirmos alguma culpa.
    Senti tudo isso, ainda hoje cerca de 2 meses depois de ter tido o meu 3 aborto.
    Ainda hoje há pessoas que não sabem o que me aconteceu, preferi ficar em silêncio e sozinha. “Ouvir dizer já te aconteceu isto outra vez já sabes como é, és nova continua a tentar”. É difícil.
    Achei que não conseguia passar mais por isto mas
    quero agradecer todas as tuas palavras porque apesar de ter chorado imenso a ver o programa deste me força para seguir em frente. A vida continua e não tenho que me sentir menos do que ninguém por ainda não ter conseguido. Algumas das tuas palavras que não vou esquecer.
    Hei-de conseguir.
    Obrigada de coração pela pessoa maravilhosa que és e por esta partilha. Parabéns e obrigada Andreia.

  16. Querida Andreia, as suas palavras e este seu abrir de coração foram tão sinceros e comoventes que me fizeram chorar e “revolver” o meu “baú” das tristezas……!!!! Também tive 2 abortos, o segundo já com 4 meses de gestação, por isso sei bem o sofrimento que nos invade o coração. No meu caso era o terceiro filho….procurava a menina pois já tinha dois rapazolas bem crescidos. Foi muito mas muito duro, especialmente da segunda vez pois já sentia o bébé a dar pontapés, já era o “meu bebé “…..tinha uma barriga gigante, 17 semanas…..Chorei horas, dias, semanas, meses e a dor não passou e nunca vai passar, mesmo já passados 11 anos…..!!!! Pensei vezes sem conta se deveria tentar mais uma vez, e finalmente decidi tentar novamente. As primeiras semanas foram avassaladoramente duras, mas consegui……!!!! Hoje tenho mais um rapazola, lindo com quase 11 anos, o meu Francisco.
    Falando agora de si, Andreia, acho que foi uma super mulher…..num primeiro filho ainda é mais dificil de ultrapassar a dor e a perda. E continuar a tentar engravidar depois de dois abortos é só para MULHERES fortes. Não se é menos mulher por isso. Pelo contrário, é a prova de que somos mulheres de verdade, com coração. Um grande beijinho minha querida 💚

  17. Olá Andréia estive a ver na tv no programa da Júlia o seu testemunho sobre o que lhe aconteceu cada palavra dita era uma lágrima que me caia pelo rosto já fez um mês que perdi o meu filho e não consigo esquecer pela forma como me aconteceu. Desejo te as maiores felicidades do mundo.

  18. Senti este texto de forma muito intensa. Envio um abraço cheio de amor a todas as Mulheres que passaram e passam por isto.
    Estudo jornalismo e estou a fazer um trabalho sobre este tema. Se alguém se quiser abrir comigo e me ajudar eu agradecia imenso.
    Enviem email para “weshowntalk@gmail.com”.
    Podemos dar nomes fictícios.

    Obrigada e força ❤

  19. Senti cada palavra como se fosse minha, as lágrimas inundaram os meus olhos, só quem passa é que consegue perceber, muitas mulheres até nos olham com um olhar de coitadinha mais um aborto! Mas muitas delas provavelmente não teriam capacidade para renascer depois de um aborto. Já passei por 4 depois do nascimento do meu primeiro filho, que é a luz da minha vida, um amor infinito! Sei que vou votar a ser mãe novamente, que um dia vou lembrar-me do passado e talvez até conseguir sorrir, de momento ainda não consigo é ainda muito recente! Tenho 4 anjinhos no céu e 1 na terra. Obrigada, Andreia estes testemunhos dão-nos muita força! Conte-nos mais da sua história! Felicidades para os três

    1. Eu sinto muito ,pois estou passar por uma dor enorme,estava com 37 semanas de um menino muito amado por mim , infelizmente quando me dei as dores eu pensei que o ia ter nos meus braços,e quando cheguei ao hospital na ecografia o meu bebê estava morto 😭,caiu me tudo,dei a luz o meu bebê e ele não chorava ,pois estava sem vida ,carreguei o 9meses muito amado.Nunca pensei que tal me acontecesse,pois não sei que fiz de errado.Muitas vezes também me sinto culpado. Ele nasceu .tão perfeito .
      Espero um dia poder ultrapassar esta dor pois nunca vou esquecer a carinha dele.😢

    2. Olá outra vez
      Peço desculpa pela forma como escrevi mas deu me um flash qq e tive de desabafar. Queria um pouquinho de colo.
      Não entendo muito de blogs e portanto nem sei se vai chegar a ver o meu comentário mas tudo isto para lhe dizer que nunca nos esquecemos mas aprendemos a viver com estás perdas. Você é uma felizarda, tem a sua Alice.
      Bjinhos

  20. ás 12 semanas perdi, e não perdi somente 1 bebe, perdi uma parte de mim. Faria 1 aninho este mês de Outubro… na consulta descobrimos que estava sem vida… a aconselho da médica deixei o meu corpo fazer tudo sozinho. O pior não foi as dores que senti duas semanas depois, foi ver com os meus olhos todo o processo da expulsão natural… está aqui tudo ainda por curar se é que alguma vez o consiga…

  21. No mês de Janeiro 2018 a melhor notícia de sempre veio.. o meu sonho de ser mãe sempre foi algo muito importante para mim, mas depressa tudo mudou.. durante uma semana estive em casa em repouso devido a um sangramento, mas quando voltei a Maternidade, disseram de forma crua e rude quando perguntei se estava tudo bem a resposta foi NÃO.. Levaram-me para uma sala para me explicar que tinha de ser operada de imediato pois tinha uma gravidez ‘molar’. As pessoas com quem partilhei isto não sabiam o que era, e eu própria tive de pesquisar na internet… encontrei apenas num blog uma pessoa que partilhara esse caso, porque é uma coisa relativamente rara..
    Na altura não percebia nada do que os médicos explicavam.. senti me vazia, triste, porque é que tinha de ser cmg..Estive horas a espera de ser operada a ouvir os bebés a chorar nas salas ao lado.. após a operação fiquei uma noite Numa ala da Maternidade onde só estavam grávidas.. até julho tive de voltar 2 vezes por semana àquela Maternidade, para fazer análises e para ir a um ginecologista oncológico.. Saía de lá sempre a chorar desalmadamente.. voltar aquele sítio era ‘overwhelming’ para mim… felizmente era uma gravidez molar parcial e por isso nao se desenvolveu um cancro… Ainda hoje penso como seria a minha vida SE, mas resta me olhar em frente e ser persistente.. e verdade que as pessoas estão sempre a perguntar quando tenho filhos… ou a reação das que souberam diziam e porque não tinha de ser.. foi melhor assim, mas isso em nada ajudava.. a força de lutar tem de vir de dentro de nós… nos mulheres não sabemos o quão fortes somos… para todas as mulheres que passaram pelo mesmo, não se sintam sozinhas…

  22. 5 corações bateram dentro de mim, e apenas 2 me chegaram aos braços…eu tenho 5 filhos, 2 na terra e 3 estrelas que me iluminam…
    Vivi a maternidade de 2 formas distintas, a primeira gravidez cheia de força, energia e esperança…muitas fotos, tudo preparado para receber o meu filho! È tao bom quando tudo corre bem!
    A gravidez da minha arco iris, foi vivida com medo angustia e uma felicidade retida…aconteceu 3 gravidezes depois, com 9 meses de repouso absoluto, depois de 300 picadinhas de amor!
    Ao contrario da maior parte dos testemunhos nunca escondi as minhas gravidezes, não fazia sentido para mim, os verdadeiros amigos estão connosco na alegria e na tristeza!
    Na minha opinião o aborto continua a ser um tabu sem valor precisamente porque é escondido entre 4 paredes…e não um aborto não tem nada de normal…só pensa assim quem nao passou por ele!

    1. Hélia,

      Curiosamente vivi exatamente a mesma situação: grávida 5 vezes e 2 filhos. Do meu primeiro filho engravidei à primeira e ele nasceu às 41 semanas. Para conhecer a minha filha, perdi 3 filhos pelo caminho. Foram-me diagnosticadas 2 mutações no gene MTHFR, que provocam trombofilia e tal como a Hélia, estive em repouso e injetava-me diariamente com anticoagulantes.
      Curiosamente, fui sempre cautelosa, inclusivamente no caso do meu primeiro filho, pois conheço demasiadas histórias de aborto e sempre receei que me acontecesse a mim e infelizmente aconteceu, mas tal como a Andreia diz, “tinha de ser assim para ser assim”.
      Sinceramente, olhando para trás, só tenho pena de me ter contido tanto na gravidez da minha filha com o medo de a perder e de por esse motivo ter criado uma barreira em relação a ela pois achava que se não criasse laços, em caso de novo aborto iria ser mais fácil superar. É disso que me arrependo.

  23. Andreia, hoje tive o primeiro aborto de uma primeira gravidez. É tão difícil “enterrar” aquilo que foi sonhado e desejado mas vou tentar acreditar que o melhor ainda está para vir.
    Obrigada pelo texto.

  24. Boa tarde Andreia e pena sufrermos tantôt nao mercemos
    Te déraison muita saude amor felicidade inergia e muita muita luz beijinhos

  25. Custa tanto 🙁 e a dor.. o sentimento de culpa.. corrói nos de tal maneira.. obrigada por partilhares a tua história que em tanto se assemelha a de muitas de nós!
    Felizmente, tal como tu Andreia, hoje tenho o meu milagre nos braços e já tem 8 mesinhos o amor da minha vida!

  26. Olá Andreia,
    não consigo sequer imaginar a dor que passaste, mas sou mãe de uma menina de 2 anos e fui também abençoada, tal como tu!
    O meu comentário tem um único objetivo, dizer-te Obrigada! Obrigada, pela partilha, por mostrares como nós mulheres somos seres capazes de aguentar qualquer dor, de nos mantermos firmes e renascermos muitas vezes das cinzas! Obrigada pelo teu relato, por ajudares com o teu testemunho tantas e tantas mulheres que passaram (infelizmente) pelo mesmo!
    Parabéns, por nunca teres deixado de sorrir,que é maravilhoso, mesmo chorando por fora! És um exemplo de sobrevivência mesmo quando a vida nos deixa sem chão. Parabéns também pelo maravilhoso marido que tens, por todo o amor que tens na tua vida! Porque afinal, só com muito amor nos pode levantar!
    Bem haja a ti! Continua a sorrir e sejam muito, muito felizes!

    Um abraço apertado de mãe!

    Ana Fernandes

  27. Não podiam estar melhor escritos, e descritos, os sentimentos e emoções pelos quais passamos ao longo deste doloroso processo. Ir trabalhar no dia seguinte e nas duas semanas seguintes cheia de dores e vazia por dentro…
    As frases “clichês” chegavam para nos confortar, mas torturavam-me a alma. Querem obrigar-nos a aceitar aquela perda de uma forma ligeira e não dá!! Dói muito e cada uma de nós sente à sua maneira. Chorei muito, muitas vezes sozinha, mas fui abençoada pelo meu adorado filho em maio de 2017.

    “Estava feliz, mas cautelosa, o medo estava presente mas não queria ser tomada por ele. Estava grávida. Mas quando os outros ficavam eufóricos com a notícia, nós vivemos até ao último dia com um alegria contida. Sem muitas fotos, sem muitas partilhas.” – Igual por aqui. Só dissemos perto das 20 semanas e nunca conseguia falar do bebé num futuro a longo prazo, porque tive sempre medo de o perder, mesmo depois de já o ter nos meus braços.

  28. Somos tantas a passar pelo mesmo, infelizmente… Mudam as pessoas, repem-se as histórias. Eu, mãe de dois meninos com 2 anos, gémeos, também passei pelo mesmo antes do nascimento dos meus filhos, dois obortos, dois amores que não conheci… Beijinhos!!

  29. Olá, a minha história é semelhante, mas com vários anos de tratamentos de infertilidade, algumas perdas, muitas lágrimas.
    Queria ser mãe cedo (24 anos, a terminar o curso superiior e com trabalho efetivo na área), tentamos e nunca obtive um positivo, passamos para os tratamentos, hoje olho para trás e penso era uma menina que ia enfrentar a maior batalha da minha vida e a mais dolorosa. Como todos me viam como um rochedo, nunca desmoronei, (só quando estava sozinha), faltou tantas vezes o abraço, apesar do então marido ser presente, mas um presente ausente, porque eu era uma força da natureza, mais forte que tudo, se calhar não… faltou um dizer me já chega, para… eu não sabia parar foram 7 anos… em simultâneo com o processo de adoção a decorrer. E em Junho 2011, fiz um meu último tratamento e recebo a notícia de perda… mais uma batalha perdi… em dezembro de 2011, o meu menino Jesus trouxe a maior dádiva, a minha menina já tinha nascido há 27 meses, a minha gravidez era no coração… eu renasci, eu ganhei vida… eu senti-me maior que tudo o resto…
    mas como nem tudo são rosas, passei por um divórcio, por minha vontade, não que tenha deixado de amar, mas nem sei explicar porque… também não importa…
    39 anos foi me dado o diagnóstico de um mioma e entrada na menopausa precoce. Era pacífico já tinha o meu amor maior, a minha princesa… não nasceu de mim, mas nasceu para mim..
    2017 Encontrei um novo amor..
    Julho de 2018, menopausa (2 anos sem mestruacao, mioma a aumentar), pílula para controlar os sintomas da menopausa…mal disposição vómitos… pensei o que terei agora? Problemas de estômago?! Médico fazer endoscopia e teste de gravidez… POSITIVO!!! WTF?!!! Médico grávida de 11 semanas!!! Como eu não tenho menstruação?!!! A CIÊNCIA NÃO EXPLICA, palavras da médica…
    Tenho 41 anos e estou grávida de 21 semanas, gravidez de risco…
    Em 2011 ganhei um motivo para viver e sorrir, 2018 presenciou me com mais um…
    ainda choro… mas seja o que for… tudo tem uma razão de acontecer… se tivesse na altura engravidado não tinha a minha C… que é a alegria dos meus olhos.
    Obrigada por lerem e pelas vossas partilhas…

    1. Uau!! Que história de vida! Claro que, a esta distância, é bom ver o resultado, mas acredito que durante todo este processo a coisa não tenha sido mesmo nada fácil! Muitos parabéns pela sua família e por ter partilhado a sua história, com um final muito feliz!

    2. Grande Mulher! Votos de vida muito feliz todos juntos! Grande história de vida! Fiquei a pensar de facto a vida prega cada surpresa! Desejo tudo de bom! E que seja sempre assim uma mulher de força! Aliás é uma força da natureza! Felicidades!

  30. Tal como tu…dois abortos espontaneos…depois de mais duas operaçoes ao utero, e finalmente o tão desejado e amado meu bebe Rodrigo!…força para todas nós,porque o nosso desejo é infinito!!!👶😊😘

  31. Meu deus Andreia, revejo-me em cada palavra escrita aqui.
    Já tenho uma filha com 13 anos e em janeiro de 2018 descobri que estava grávida novamente, que felicidade☺
    Era outra menina, exatamente como queria, iria chamar-se Matilde. Tudo correu bem até ás 19 semanas, depois fui bombardeada com uma infeção vaginal que fez com que começasse a entrar em trabalho de parto. Aguentei até ás 22 semanas, mas infelizmente não consegui. No dia 25 de abril de 2018, fui para o bloco de partos, sofri horrores com as dores, mas a dor maior era mesmo a de saber que estava a passar todo aquele sofrimento e a minha menina não ia sobreviver. Pior do que todo este sofrimento, é ainda ouvir as pessoas a dizer para tentar de novo ou que já tinha de ser assim ou ainda ouvir de uma médica que a minha bebé só tinha 22 semanas.
    É horrível e só quem passa por isso consegue perceber.
    Parabéns pelo artigo e também por teres a tua princesa finalmente nos teus braços.

  32. Boa noite Andreia.
    Passei pela mesma situação à 15 dias. A forma como escreve e tão verdadeira que me faz lembrar cada segundo da minha perda, parecia que a estava a descrever.
    Chorei “baba e ranho” mas percebi que o meu luto não é exagerado.
    Obrigada pela ajuda 💖

  33. Olá Andreia, revejo-me em todas as tuas palavras. A minha história é semelhante, a diferença está no intervalo de 5 anos e meio desde o momento em que decidimos que queríamos ser pais e o momento em que a Inês nasceu. No caminho, muitos tratamentos, muitos momentos tristes, dois abortos…..
    Tenho a certeza de que a Inês estava à minha espera, tal como descreveste.
    Sim, só quando temos coragem para partilhar estas histórias (que é algo dificil de falar nos primeiros tempos) é que percebemos que existem muitas outras histórias semelhantes bem perto de nós.
    Crescemos, tornámo-nos mais fortes, mais humanas e principalmente…. deixamos de fazer perguntas (porque sabemos que podem ferir o outro).
    Beijinho grande

  34. Tantas mulheres partilham esta realidade… poucas falam!
    Eu engoli a dor até não puder mais. 3 anos a tentar engravidar e quando dá certo… dá errado! 20 de Setembro de 2016 a boa nova que tanto esperávamos, 20 de Outubro tudo desmoronou! Chorei, senti me culpada, achei que tinha feito alguma coisa errada. Do meu lado o melhor companheiro que nunca me deixou cair. Tenho para mim até hoje que não curou a dor dele para curar a minha.
    Um processo doloroso.
    O mundo vira ao contrário quando nas urgências de um hospital somos tratados com tanta frieza num momento de tamanha fragilidade.
    Nesse dia mal falamos. O silêncio fez se ouvir dias… ultrapassamos! 16 de Fevereiro de 2017… deu novamente positivo. Não contamos a ninguém. Só passados 4 meses começamos a desvendar. Poucas fotos da progressão da barriga, as idas ao médico era uma ansiedade. As eco eram noites mal dormidas. Mas ele escolheu nos para papás… precisamente um ano depois, 20 de Outubro de 2017 ele veio ao mundo, chama-se Guilherme e é a luz das nossas vidas.
    Tinha de ser assim…
    Felicidades a nós… às que já superaram e a todas que passam por este processo. Somos guerreiras… vai dar certo💐

    1. Infelizmente, a 6 de Maio de 2017, também passei por aborto retido. No passado dia 12 de Setembro soube que estava novamente grávida, mas o medo é imenso…

  35. Passava mil vezes pelo mesmo, para ter a minha “Alice” como tenho, há 2 anos, nos meus braços! Muitas felicidades, muitos beijinhos e que a felicidade de hoje vos acompanhe para sempre!

  36. Adorei chorei porque me revi..eu perdi o meu primeiro bebe soube a notícia a 13 de julho de 2011 eu a ,14 de julho fazia anos .
    Entrei no hospital São João no porto porque algo me dizia que não estava tudo bem , fui por curiosidade para saber pedi permissão e sai do trabalho cheguei lá esperei esperei e comecei a perder uma borracha de café não sangrava mas não achava normal mas como nunca tinha sido mãe e amigas minhas diziam que aborto sangrasse muito ali fiquei a espera . Quando entro uma grávida médica atender me pedi para o meu marido na altura entrar resposta fria direta não..entrei diz ela que tempo tem e eu 3 meses ok deitesse de repente entram mais 3 médicos todos me tocavam como de um corpo mortose tratasse ali deitado ninguém me falava de só ouvi levantese limpasse e venha ter comigo. Assim o fiz cheia de medo diz ela “pois é para o tempo que disse não vejo grande desenvolvimento ,…”e começou com termos técnicos e eu a sentir-me perdida , só ouvi a parte pode ir e venha quarta feira mas digo lhe já vai abortar. Caiu me tudo sai e só volta a grávidas o meu marido na altura só perguntava como está oi bebé sai do hospital e só ali fora de tudo e que consegui dizer ela disse que ia abortar leva me para casa. Não satisfeitos fomos a um particular dia dos meus anos só pedia que a outra Ned cá estivesse enganada mas não doce mente me explicou e disse vai abortar aconselho a a ir a outro hospital já que não gostou do atendimento só não faço aqui porque não estou preparada em gabinete mas vá ao hospital Pedro Espanto e diga que vai por mim .nessa noite não dormi só ia no dia seguinte o meu marido na altura a dormir e eu a chorar com nojo de mim comecei a sangrar a ter as ditas contrações mm as aguentei até de manhã acordei toda insanguentada a cama e disse vamos tomei um dizer e fomos foram atenciosos mas fiquei com as grávidas que iam ter os bebés..eu a perder e a ouvir o coração do bebê ao meu lado chorei muito disse que nunca mais era mãe não merecia …passado um ano dia 24 de setembro nasce a Ariana 4.120 kg 52 centímetros é as linhas z dos meus olhos mas acreditem quem perde devia ter acompanhamento a dor fica sempre . obrigada Andreia por partilhar

  37. Compreendi tão bem, senti tão fundo…
    Em Julho soube e acreditei que iria finalmente ser avó. É um desejo, um sonho, algo que me delicia só de pensar. Duas semanas depois, soube que o nosso /a coisinha fofa não tinha vingado. Às 6 semanas, deixou de viver. Chorei, chorei e revoltei – me tanto…
    Sinto tanto, pela minha perca e pela dos meus filhos, que tanto sofreram..
    O que mais me entristece é que, com a idade que tenho, pode surgir alguma coisa que me leve deste mundo, antes de ver a concretização do nosso grande sonho..
    Obrigada Andreia, pela coragem e falem, falem disto porque têm que deixar de ser tabu.. Tem…

  38. Olá, Andreia. Que Deus a proteja sempre a si e a Alice.

    Obrigada pela partilha…Ao ler, senti a cada palavra a “dor” silenciosa. Quando engravidei ganhei o céu, mas a notícia chegou e perdi o Mundo… O Mundo e a eles…

    sim, eram dois 🙂 que se abraçaram na minha barriga e permaneceram juntos para sempre. E um dia, eu irei encontra-los e abraça-los também 🙂

    Agora, tenho a Amélia, que daqui a dois dias, faz 7 anos. Que me fez acreditar e me mostrou o lado doce da vida. Tudo com ela tem cor 🙂 até as traquinices…hihih
    Muita força para todas as “mães do silêncio”. Estamos juntos numa ligação de coração que só quem passa, compreende o tamanho do silêncio e da dor.
    A vocês todas, nunca se esqueçam (mesmo que haja uns e outros a dar “bitaites”…) são todas maravilhosas 🙂
    Beijinhos para todas

  39. É emocionante lêr tudo o que escreveu… Porque me senti assim… senti-me tão culpada quando me disseram que já não tinha os meus dois bebés… já eram tão meus!!
    Mas tudo acontece por uma razão…

  40. Olá Andreia ! Desde já parabéns pela partilha!Sei bem qual é a sensação, em dezembro de 2016 sofri um aborto . Era uma gravidez muito recente mas a felicidade era tal que partilhei com a família no imediato, quando o perdi senti que não conseguia lidar com aquela dor e que apesar do consolo da família e todas as palavras “ é porque não tinha que ser agora” , “ da próxima vez vai ser diferente “ , “ ainda são novos podem continuar a tentar” nenhuma palavra me servia para atenuar o que eu sentia, adormecer a chorar e acordar a chorar era inevitável . Por acaso calhou numa altura que tinha 4 dias de folga ( por ser Natal) e não foi necessário faltar ao trabalho , após os 4 dias e ainda com muitas dores lá voltei eu com a melhor cara possível para que ninguém percebesse que algo não estava bem. Depois daquela perda, vieram todos os receios “ e se eu tivesse algum problema é não pudesse ter filhos?” Eram pensamentos constantes na minha cabeça e a vontade de ser mãe cada vez maior, procurei muitas vezes na internet testemunhos de situações semelhantes para tentar ultrapassar … passado mais de um ano, em abril de 2018 descobri que estava novamente grávida mas desta vez fui muito cautelosa e não contei a ninguém apenas a família depois de completar as 13 semanas e mesmo assim pedi segredo, ainda hoje com 30 semanas poucas são as fotos ou divulgações da minha gravidez porque acho que só vou acreditar que é real quando a tiver nos meus braços. Está quase e se Deus quiser tudo correrá bem ! Beijinhos e Obrigado !

  41. Obrigada Andreia
    Na Suíça Alemã onde moro existe uma palavra Sternenkind ( bebé que vive nas estrelas) para defenir as gravidezes que não chegaram ao termo ou os bebés que morreram pouco depois de nascer.
    Cada mulher é mãe quantas vezes esteve grávida.
    Está na hora de mudarmos mentalidades.

  42. Olá Andreia, compreendo-a tão bem sofri 3 abortos, só á quarta gestação consegui ter nos braços a minha princesa, a minha vida, a minha Joana, mas olhando para trás também penso que tinha que ser assim, estava escrito que tinha que passar por isto por algum motivo. Foi uma gravidez sofrida com muitos internamentos e uma amniocentese, foi difícil até ao fim mas o que importa foi o fim da gravidez com o nascimento da minha menina, saudável, perfeitinha e linda. Muitas felicidades para a sua família.

    Beijinhos

  43. Olá Andreia. É a primeira vez que visito o seu blogue e faço-o depois de ler este post noutros sites, abordando o drama pelo qual passou. Vim rapidamente ler na íntegra o que escreveu e espero, muito francamente, poder um dia escrever também uma história destas. Significava que já tinha um filho nos braços. A verdade é que me parece um assunto tabu este das mães que não conseguem ter filhos. O meu marido e eu estamos a tentar há cerca de 3 anos e neste momento estamos já em lista de espera na MAC para fazer fertilização in vitro. É uma longa, longuíssima espera. Confesso que o universo dos bebés neste momento me dá aversão. Fico corroída de inveja ao saber de amigas minhas grávidas. Já não suporto estar em grupos de mães que durante o almoço só falam dos seus filhos o tempo todo. Não consigo sentir-me genuinamente feliz por saber que os meus cunhados vão ser pais. Sinto-me, ao mesmo tempo, uma má pessoa por ter estes pensamentos, porque eu, na realidade não sou assim, mas é mais forte que eu. Sinto que se souberem pelo que passamos vão ter pena de mim, ver-me como uma mulher frustrada. Nunca pensei passar por isto. Nunca. A minha defesa é tentar não pensar muito no assunto e deixar os dias correr. Correr até que chegue o dia em que irei à MAC tentar a minha sorte. Creio que só no fim de várias tentativas sem sucesso é que me darei por derrotada. Agora, sou só uma mulher de 37 anos com um sonho e, ao mesmo tempo, uma grande frustração. Vivo na sombra daqueles que experimentam as maravilhas da maternidade, pois não quero magoar-me mais. Preferi proteger-me a mim própria do que agradar aos outros, aparecendo nas festinhas dos filhos dos amigos ou participando em conversas sobre a gravidez. Nada disso me interessa neste momento. Prefiro viver afastada desse mundo, senão para mim será o fim. Obrigada por partilhar a sua história. Sinto mesmo que este é um assunto muito escondido por quem o vive. Bem haja e tudo de bom para vós e obrigada por artilhar a sua história.

    1. Maria
      Revejo me tanto nas suas palavras que podia ter sido eu a escrevê-las há dois anos atrás… E também sei que por muito que lhe possamos dizer é contar pouco ou nada vai atenuar essa angústia e dor, mas deixe-me lhe dizer que o meu positivo chegou ao fim de seis anos, quando já tinha “desistido da ideia” e pensado em adopção…
      Não perca a esperança! Um beijo enorme!

    2. Não se sinta mal por se querer manter afastada do “mundo dos bebés”. São senti-mentos normais e não fazem de si uma má pessoa! Não perca a esperança! Mantenha-se forte. Um beijinho.

  44. Adorei … não passei por isso, mas sim, deve ter sido difícil.
    Tenho duas filhas o melhor de nós. Muitas felicidades. Tudo de maravilhoso para os três. Beijinhos ❤❤

  45. Olá Andreia!
    Parabéns pela coragem e pela força de não ter desistido…
    Revejo-me em tantas palavras que a Andreia escreveu…
    Eu perdi 3 antes de nascer o meu primeiro filho… nasceu em Maio 2009!!! E tb só acreditei que era verdade quando o ouvi chorar e o vi …. até aí ainda duvida se era real ou um sonho….foi uma perda por ano… e depois tratamentos de fertilidade pelo meio…. acabei por engravidar espontaneamente num altura dolorosa… quando perdemos o meu sogro…
    Voltei a tentar dar uma irmão ao meu tesouro…. mais uma luta de mais de 2 anos….tratamentos que não resultaram…. numa pausa engravidei … gravidez bioquímica….
    Passado um ano e após mais uns tratamentos e durante uma nova pausa o positivo chegou!!!!
    A princesa chegou em Junho 2014!!!!
    Passaria por tudo novamente para ter os meus filhos….foi mesmo quando teve que ser…
    Muitas felicidades para a família!!!
    Isabel Silva

  46. Obrigada Andreia, por esta partilha.
    Estou a passar agora por um processo de aborto retido descoberto as 10 semanas , mas o embrião tinha parado de desenvolver as 8semanas .
    Era o nosso primeiro filho . Demorei um ano a conseguir o tão desejado positivo , no meio de alguns tratamentos visto que me foi diagnosticado um problema nos ovários.
    Sonho muito em ser mãe. É o sonho da minha vida .
    Também me esncondi, com “medo” do que os outros vão dizer. Apenas a família e amigos mais proximos sabem pelo que estou a passar .
    Mas nos ultimos dias tenho visto que infelizmemte acontece a muitas de nós.
    Com isto quero dizer que me deste esperança que um dia vai correr bem .
    Um dia hei-de buscar forcas para voltar a tentar.

    Beijinhos e obrigada !

  47. Ser figura pública também é isto, partilhar as suas histórias mais tristes, revelar as suas fraquezas, e servir de exemplo pela força, carácter e humanismo com que lidamos com isso.
    Também passei por situações semelhantes, identifico me com tudo, e ainda hoje recordo algumas das palavras cruéis que ouvi, e que infelizmente vieram da família próxima.
    Tenho uma filha maravilhosa com 8 anos, sou muito feliz e tornei me mais forte e resiliente. Não sou uma mãe galinha, mas sou uma mãe leoa.
    Obrigada pelo texto. Confirmou a admiração que tenho por si e por vocês como casal. Desejo vos muita felicidade.

  48. Olá Andreia, comovi-me muito a ler o teu texto. Passei pelo mesmo, da primeira vez foi o choque da perda e a sensação que tinha falhado… Entretanto engravidei do meu filho Gonçalo que nasceu muito prematuro, mas hoje é um menino lindo e saudável com 8 anos. Quando o Gonçalo tinha 2 anos, engravidei novamente, só quase às 10 semanas é que descobri que era ectópica. O procedimento foi uma cesariana de urgência, e acordar no recobro ao lado de mães recentes foi muito duro… foram os dias mais tristes e negros da minha vida.
    Foi bom ler o teu testemunho, é uma ajuda para quem passou por isso. Muitas felicidades para a princesa Alice e para os pais maravilhosos que ela tem.Beijinhos

    1. Estamos juntas <3 Andreia. Já passei por três e sei bem o que falas…é um turbilhão de sentimentos inexplicável! Mas tudo na vida tem a sua razão de ser! E eu aceito tudo o que ela me dá! Dói, sim. Mas é preciso doer para renascer, como tão bem nos canta Sara Tavares:
      "É preciso o coração
      Falar mais alto e reparar
      Pequeno nada e alongar
      Pôr fogo na casa
      Ter peito e espaço pra morrer

      E renascer…"

      Beijinho grande

      Ana B.

  49. Obrigada Andreia pelo seu testemunho e por ter a coragem de partilhar a vossa história. Infelizmente só o que é perfeito é que é partilhado. O imperfeito tem de ser recolhido no nosso lar pois nem todos compreendem a dor de perder um filho, mesmo que seja ainda um grão de amor, dentro do nosso ventre. Sofri um aborto retido às 8 semanas. Infelizmente ainda não tivemos a vossa coragem de voltar a tentar. Já sabemos a dor de perder um filho. Já aprendemos aceitar. E aprendemos que ter um filho é aceitar tudo o que possa acontecer com ele. Não sabemos se estamos preparados para isso…Felicidades.

  50. Obrigada por partilhar algo tão seu, e dar a coragem a outras mulheres de falar, de desabafar. Sofro de um distúrbio hormonal e passei por 6 abortos, e só quando estava no sofrimento dos tratamentos para a gravidez da minha segunda filha é que consegui abrir o meu coração e falar do meu problema. Até esse dia sentia apenas culpa, culpa por não ter a capacidade de ter filhos naturalmente, culpa por fazer o meu marido passar por isso. E no dia em que aceitei que não tinha culpa nenhuma, vi que tinha uma força enorme, para me sujeitar a internamentos, tratamentos, injeções, meses sem me mexer, meses angústia constante, para chegar aquele dia, o dia das segurar no meu colo e dedicar a minha alma a elas. Parabéns pela Alice, tenho a certeza que saberá lhe entregar a alma

  51. Olá Andrei, não nos conhecemos, mas acabei de ler a minha história, as lágrimas não param de cair, em Maio também recebo nos meus braços um pequeno milagre, um milagre que não fazia acreditar, até mesmo a equipa de médicos que nos seguio em fertilidade, foi um processo duro, foi um desistir que nunca aceitamos mas sozinhos conseguimos, hoje temos a Mariana a luz dos nossos dias. Obrigada por esta patinha.
    Um grande beijinho e muitas felicidades

  52. Olá Andreia! Sou a das muitas mulheres que partilha uma dor semelhante. Quando soube que estava grávida foi a maior felicidade do mundo, passaram as primeiras 12 semanas e pensei a parte mais difícil já passou, cheguei à segunda ecografia e comecei a prepara a chegada do novo ser, mas um pressentimento de que algo não estava bem levou me há urgência ás 28 semanas. Não queria pensar no que estava a acontecer, era um bebé sossegado , mexia pouco. Quando ouvi as palavras “o coração não bate, parou”, fiquei sem chão. Passado umas horas estava na sala de partos a ter o meu “Francisco”, que sabia que nunca mais o ia ver, tive parto normal. Naquele momento, peguei naquele ser perfeito no colo e despedi me junto com o meu companheiro. Foram dias, semanas de muita dor. Ultrapassei e não desisti. Passado, quase um ano veio a notícia, estava outra vez grávida, vivi os dias como se fossem os últimos, muito bem acompanhada pelo nosso sistema de saúde, várias consultas mensais para ver se estava tudo bem. Cheguei às 39 semanas e 6 dias e o meu pequeno Salvador, nasceu para dar mais sentido às nossas vidas. Faz hoje 4 meses que nasceu o meu amor maior e sou imensamente feliz. Não se consegue esquecer a dor de perder filho, vai atenuando. Faz 2 anos em Novembro que perdi o “Francisco”, continuo a sentir muita dor, mas sei que o Salvador veio para me completar como mãe e como mulher.
    Na altura soube de algumas histórias que outras mulheres passaram e pensei sempre que algumas delas eram bem piores que a minha, algumas chegaram ao final da gravidez e os bebés morreram na hora do parto, outros pouco tempo antes de nascerem. E foi isso que fez com que seguisse em frente e lutasse pelo meu sonho, ser mãe.
    Na minha opinião devia haver debates, partilha de informação, experiências para ajudar outras mulheres que passam o mesmo, não nos podemos esconder. Sei que para muitas pessoas isso não se deve contar para não assustar quem está a pensar em ter filhos, mas ao saberem destas experiências, ficam a saber que nem tudo é um mar de rosas e que pode acontecer a qualquer uma.
    Muitas felicidades para si e para a pequena Alice que é uns dias mais nova que o meu Salvador.

  53. Olá Andreia, obrigada pela partilha. Tudo o que foi dito foi como se estivesse a reviver o que ja tinha acontecido. Tenho um menino de 4 anos que sempre pensei em lhe dar um irmaozinho/a, quando em fevereiro deste ano soube que estava gravida pela segunda vez fiquei felicíssima. No entanto o inesperado aconteceu o bebé nao estava a desenvolver bem e tive um aborto espontâneo. É mesmo como sentir o chão desabar nos nossos pés, e em silêncio, apesar de sentir marido e familia presentes, sofria. Mas sempre mantendo a esperança e dizendo que se tinha acontecido é porque nao tinha de ser naqula altura. O tempo passou e voltei a tentar, estava outra vez gravida e desta vez ouvi o seu coração e neste momento estou de 15 semanas. Entratanto umas semanas antes fiz o rastreio bioquímico e tive um choque em saber que tinha probabilidade de ter um bebé com trisomia 13/18. Uma vez mais estou na beirinha do precipício. Pois para tirar as duvidas terei de fazer amniocentese e só descansarei se estiver tudo bem daqui a tres semanas quando o resultado for negativo. Aí puderei respirar de alívio e puderei então finalmente dar um irmãozinho ao meu filho R. Até lá tento manter esperança que vai correr bem. Um beijinho grande por ter partilhado connosco o sofrimento de tantas mulheres. ❤

    1. Querida Sandra espero que esse teu exame que seja negativo , sei bem o que é passar por isso é muito complicado, muita sorte , porque a minha foi complicado. Muita força para si e família.

  54. Andreia, perder um filho é uma dor indescritível.Só quem a viveu entende.Eu não tive um aborto, mas o meu primeiro filho faleceu com 27 horas de vida.Tudo correu bem na gravidez, mas era um bebé grande e às 42 semanas ainda não tina nascido.Entrou em asfixia perinatal e faleceu no dia seguinte.Amei—o desde o dia em que soube estar gravida, imaginei como seria, dei—lhe um nome, Paulo Alexandre e nao o pude abraçar, beijar,amamentar.Mas continuo a Ama—lo, a ver o seu rostinho lindo com cabelinho ruivo, lindo
    Mas ergui a cabeça , queria ser mãe e hoje tenho a Mafalda de 15 anos e dois meninos gemeos de 13 anos o João Paulo e o João Miguel.Estou feliz e realizada.Desejo—lhe tudo de bom , e parabens por ser a mulher encantadora que é.Bj para os 3

  55. Olá Andreia… Obrigada! Senti cada palavra, porque vivi o mesmo… Um beijinho apertadinho no seu coração e que sejam muito felizes! <3

  56. Olá Andreia,
    Concordo absolutamente, se não partilharmos a nossa experiência de vida o que andamos cá a fazer?
    Engravidei em Julho deste ano e fiquei super feliz porque tinha muita esperança que o meu pai, com uma doença terminal, conhecesse o meu primeiro filho. Quis o destino que assim não fosse, abortei à um mês e fiquei de rastos por ter a noção que provavelmente o meu pai não ia conhecer um neto vindo de mim. E passados 15 dias perdi o meu querido pai.
    A vida às vezes é dura, muito dura. Porguntei me muitas vezes porquê. Ainda pergunto algumas.
    E estou a tentar encontrar paz no meu coração.
    Um mês de muitas perdas e uma dor profunda. Obrigada pelo teu testemunho e teres arriscado a exposição, vais ajudar muitas mulheres que vivem fechadas na dor.
    Eu nem sei como, levantei me, talvez tenha herdado a força do meu querido Pai.
    Beijinhos

  57. Olá a todas as mulheres que tal como eu, perderam os seus bebés e tiveram de sofrer caladas.
    Quem nos rodeia fica incomodado quando queremos falar no assunto… gritar a nossa dor…
    Eu tenho 2 lindos filhos, mas perdi 4….
    A minha primeira gravidez mt desejada aconteceu em outubro de 2005. Às 13 semanas descobrimos q o bebé não tinha batimentos cardiacos… o mundo desabou… em fevereiro de 2006 surge a gravidez do meu Pedro. Foi uma gravidez marcada pelo medo… sempre q tinha ecografia o mesmo receio… mas correu tudo bem e em outubro de 2006 nascia o meu príncipe.
    Em 2013 surge a vontade de ser mãe novamente e engravido em fevereiro. Tudo a correr bem até que em maio na ecografia das 22 semanas se descobre q o bebé tem espinha bífida já com sequelas cerebrais graves… interrupção da gravidez a 13 de maio.
    O mundo ruiu novamente e quase me destruiu, mas pelo meu filho tive de seguir em frente.
    Em fevereiro de 2014 nova gravidez. Uma gravidez perfeita, marcada pelo medo, mas q correu muito bem. A 5 de novembro nascia o meu Francisco, perfeito e lindo, mas o meu coração não me deixava acreditar.. ás 36 horas de vida e ainda no hospital ficou com febre e perante a minha insistência foi levado para a neonatologia para ser observado. A mim fecharam-me no quarto em pânico, sozinha.
    De manhã vou à neo para saber como ele estava e a médica diz-me: “que quer que lhe diga? O seu filho chegou cá com febre. Teve uma convulsão e teve de ser reanimado
    Só está vivo porque o conseguimos reanimar. Agora está ligado ao ventilador e q tinhamos q esperar.” Foi assim.. desta forma cruel q me deram uma notícia destas.
    O bebé apanhou um bactéria e nesse no hospital quiseram dizer q tinha sido transmitida por mim na gravidez. Claro q nunca iam assumir q foi infecção hospitalar.
    Esteve mais 2 dias nesse hospital, até q na manha do 2° dia me teleforam a dizer q o estafo dele tinha piorado, q estava constantemente a convulsionar e q o iam transferir para o hospital de Coimbra, para irmos imediatamente ao hospital para nos despedir-mos do nosso bebé, pois poderia chegar sem vida ao destino.
    Bem… nem conto o que sofremos na despedida… e batizamo-lo nesse momento.
    Mas… contra todas as probabilidades o meu guerreiro sobreviveu à viagem e lutou mais 14 dias numa luta desigual.. perdeu a vida aos 16 dias de vida… e eu… Nós… sobrevivemos pelo Pedro…
    O meu marido desistiu da ideia de ser pai nesse momento.
    Achou q davamos azar.
    Mas eu não podia ser mãe de colo vazio… Não aguentava…
    Todos diziam… Já nãotinha de ser… olha. Já tens o Pedro.
    Perante a minha insistência e engravidei em Outubro 2015. Felicidade… e receio.
    Na eco das 13 semanas é descoberto um problema cardíaco incompatível com a vida… nova interrupção e novo desmoronar.
    Consultamos geneticistas q nos disseram q não tinhamos problemas geneticos.. se tinham tratado de azares… q muitos casais tinham muitos azares e q nunca chegarsm a ter filhos.
    Fomos aconselhados a engravidar. As probabilidades estavam a nosso favor.
    Engravidei em Abril de 2016 da.minha Inês. Foi uma gravidez dificil e super controla em q estove de repouso absoluto os ultimos 3 meses, mas em Dezembro de 2016 nascia o meu raio de luz!
    Nunca percam a esperança!

    1. Mesmo com tudo de mau que aconteceu foi uma guerreira até ao fim, felicidades com os seus filhos e que tudo vos corra bem daqui para a frente, obrigado pela partilha que nos dá esperança de continuar mesmo nas horas más.

  58. Obrigada por partilhares esta experiência, também passei por isso e estou neste momento a tentar ser mãe, é um desejo muito grande. Acredito piamente que as coisas não acontecem por acaso, como no teu caso, temos que pensar que se não foi é porque não tinha que ser. Há um plano maior para nós, mas dói e devíamos poder falar desta dor de forma natural, sem tabus, mas infelizmente não é assim…as pessoas podem não falar por mal, mas corrói cá dentro mesmo quando as pessoas sabem que sofremos um aborto há poucos meses dizerem “então é para quando?? Ainda nada??” Ou no trabalho estarem constantemente a olhar para a nossa barriga. Custa, mas temos que nos unir e ser fortes. Depois da tempestade vem a bonança, certo?

  59. Obrigada Andreia!
    Tive uma gravidez ectópica recentemente e ler o teu depoimento é acreditar que ainda é possível. Sempre digo que não se deve questionar o porquê de uma mulher ainda não ser mãe…ninguém sabe o que se passa na casa dos outros. Para quem tal como eu está a passar um mau momento nunca deixem de acreditar. Felicidades para vocês.

  60. NAo pude conter as lágrimas! E foi bom chorar! Podia ter sido escrito por mim…. tive 3 !! A dor é imensa mas a esperança é maior!!! Comecei a seguir te kd engravidaste.. pk tb eu estava grávida …. nem sei se vais ler isto mas Obrigada! Obrigada ! Obrigada ! Por teres tido a coragem de partilhar! Por me ajudares a acreditar !

  61. Grata pela partilha, Andreia.
    Identifiquei-me com as tuas palavras. Passei por um aborto espontâneo no passado mês de Junho, às 12 semanas de gravidez. Agora é seguir em frente e confiar, pois tudo acontece por alguma razão.
    Não tenho vergonha em dizer pelo que passei. Afinal, faz parte da minha experiência de vida.
    Felicidades e tudo a correr bem. Bem-vinda Alice!

  62. Andreia,
    Muito obrigada pela coragem da tua partilha , já abortei 2 vezes e só pessoas que passam pelo mesmo conseguem qualificar aquilo que sentimos como mulheres. Obrigada pela esperança que está partilha trouxe .
    Precisamos da coragem de quebrar tabus para podermos mudar a nossa sociedade. Enquanto mulheres precisamos de nos unir e apoiar .
    Obrigada 🙏🏻
    Andreia Guerreiro

  63. Revejo-me nas suas palavras no que diz respeito à mulher azarada.. mas as vezes .. lembro-me q tenho mt sorte em mt coisa e tenho ja 1 milagre! Tenho 1filho q a cada dia q passa sei q é e foi 1milagre na minha vida.. mas a minha menina… o meu segundo milagre que nao quis vir ao mundo estará sempre presente…

  64. Andreia, provavelmente nem vai ler o meu comentário, mas não podia passar sem escrever. Eu passei por um processo muito parecido, tenho 2 estrelas a brilhar e o meu Santiago, o meu arco íris no colo. Tudo o que escreveu podia ter sido escrito por mim, você conseguiu definir tudo o que senti. A impotência, a culpa, a “vergonha”, o luto dos planos 😐😐😐 a gravidez vivida com medo do inicio ao fim, sem conseguir aproveitar nada e o culminar de finalmente ter este ser lindo e pequenino no meu colo. Também já disse inúmeras vezes, que se foi assim foi porque tinha que ser, que este ser maravilhoso escolheu-me para ser a mãe dele.
    Muito obrigado por falar publicamente deste assunto. Temos de ser mais a falar, temos de tentar mudar a atitude da sociedade em relação a estas situações. Muitas felicidades para si, o Daniel e a Alice. Que sejam sempre felizes.

  65. Em lagrimas escrevo, 24 anos depois. Mesmo tendo filhos (graças a Deus) nunca se esquece aquela que tive como se de um parto normal se tratasse (27 semanas) mas que nem nos meus braços esteve. Por mais que O tempo passe fica sempre um vazio, algo que falta.
    Tenho felizmente dois filhos que amo mais que tudo!

  66. Parabéns pelo texto e pela capacidade de colocar por palavras a maneira de ultrapassar os obstáculos para absorver o que de bom a vida oferece. Nunca passei por essa dor… Calculo que seja uma perda de um pouco de nós que não se recupera mas que podemos não deixar que nos fragilize. Infelizmente maldade e má formação vai existir sempre nos comentários de quem não conhece o amor, seja pelo outro ou até por si próprio. Espero que as suas palavras possam ajudar a mostrar a luz no fundo do túnel a quem faz a caminhada. Novamente parabéns.

  67. Olá Andreia, lamento que tenha passado por isso também, é bom para nós como mulheres sabermos que não estamos só, que não é só a nós que nos passam estas coisas e que a culpa não é nossa embora na altura pensamos que sim. Tenho 34 anos, já andamos a tentar há mais de 10, e a única vez que consegui engravidar naturalmente tive um aborto às 6 semanas, como não havia necessidade de internamento pois ele sairia sozinho, os médicos não deram qualquer importância pois era normal e trataram como nada fosse, nunca me senti tão diminuida, tão sozinha como naquele momento, todos os sonhos e o futuro que tinhamos já imaginado, acabou ali, com um : isso é normal, é como se tivesse um período… Mas lembro.me de o ver sair, um pequeno saquinho que sem qualquer explicação não desenvolveu para um embrião e por sua vez não chegou a ser o bebé lindo que eu idealizei. Já passaram varios anos, mas ainda dói. Agora andamos em tratamentos Invitro, até agora sem sucesso. E tanta gente pergunta quando é que eles vêem e eu digo, quando vierem e faço questão de dizer que o que se passa para que deixe de ser tabu, não é vergonha nenhuma não conseguir engravidar à primeira, ou à segunda ou à …já perdi a conta, porque não conto, não logo, porque cá no fundo sei que o meu dia chegará e talvez ainda tenha de passar por mais abortos quem sabe, mas a esperança é a última a morrer e eu sei que um dia irei estar como tu, radiante e com o meu anjinho nos braços 😉

  68. Olá Andréia sei o que é triste a perda de um filho eu passei por isso este mês ainda é muito recente o que é mais triste é saber que eu tenho que fazer tratamento para engravidar e num nada perco o meu primeiro filho sem saber. Como se fica sem chão o mundo desabou-me em cima mas a vida continua mas é uma dor que nem sente até a acontecer. Beijinhos e muitas felicidades.

  69. Desejo-vos toda a sorte, amor e felicidade do mundo. Alice é o nome mais maravilhoso do mundo. É o meu preferido. Depois de dois anos a tentar, engravidámos, muito felizes contámos à nossa família próxima. Na eco das 10semanas não havia evolução nem batimentos. Esteve retido 4 semanas, fiz curetagem e ao fim de 2 meses ainda tinha restos ovulares. Ainda andamos em avaliações e ecos e tratamentos. Mas tenho fé e vai correr td bem. Obrigada pela tua partilha porque isto ainda é tabu e sentimos que somos a pior e mais azarada mulher do mundo. Obrigada e muitas felicidades

  70. Olá Andreia! Que texto tão bonito e sofrido ao mesmo tempo… senti cada palavra sua como se dá minha boca e coração saíssem. Fui Mãe em Junho deste ano e tal como você também perdi dois bebés anteriormente, e também descobri em Outubro de 2017 que estava novamente grávida. Se por um lado nos inundámos de felicidade, por outro uma sombra pairava… e agora será desta? Até ao fim foi sempre um passinho de cada vez, a confiança foi-se instalando e a cada nova consulta tudo estava a correr lindamente, mas só suspirámos de alívio quando finalmente tivemos o nosso filho tão amado e desejado nos braços. Ai a vida mudou e, o que anteriormente foram lágrimas de dor agora eram de mais pura felicidade. É como diz, o meu filho nasceu e eu renasci com ele.

  71. Andreia, como eu a entendo tão bem. Tive duas situações semelhantes, só com a diferença, o meu primeiro aborto era uma menina e já tinha quase cinco meses. O segundo, foi semelhante, comei com hemorragias, fui directamente para o hospital, mal lá cheguei, perdi outra menina com cinco meses. Feitos exames e mais exames, soube que havia uma incompatibilidade com hormonas femininas. Depois de um tratamento bastante longo, tentei engravidar, o que realmente aconteceu, mas tive de estar os nove meses em repouso total. As análises e as visitas médicas eram feitas em casa. Felizmente correu bem, nasceu um rapaz, saudável e bonito que faz este ano 38 anos. Obrigada por partilhar a sua história. Muitas felicidades para a bebé e os papás.

  72. Olá Andreia. Dou -lhe os parabens por ter a coragem de falar publicamente do que lhe aconteceu. Infelizmente a maior parte das pessoas nao tem a sensibilidade de apenas estar lá e não dizer nada. Nessa altura não há nada que possam dizer que nos faça regressar à vida, apenas a sensação de vazio e culpa. Durante muitos anos , varios médicos me disseram que nunca poderia ter filhos , seria impossivel. Capacitei me disso e consegui superar isso com muita dor. Houve uma separação e um novo relacionamento que me fez acreditar em milagres, sem saber engravidei de gemeos as 42…perdi os ás 12 semanas sem grandes explicações apenas a resposta que a natureza faz a sua seleção. Nova aventura aos 44…nova perda e nova visita ao lado negro da vida. Hoje vejo me com 47 e sem hipotes de ter filhos! Muitas vezes pergunto porquê? Sou mãe sem nunca ter sido! Sou mãe mas nunca os terei nos meus braços, embora os tivesses na minha barriga e para sempre no meu coração. Apenas mães de anjo sabem esse significado. Eu, ao contrário de muitas mães nunca terei o meu “arco-íris”….Beijinho e mais uma vez obrigado pelo testemunho e parabens pela Alice.

  73. Ola Andreia
    Como me revejo em cada palavra… não sei é escrever assim como a Andreia, mas é exactamente isto.
    Perdi dois filhos o Tiago com 20 semanas e o segundo bebé com 9 semanas.. foi TÃO duro. Foi um ano “boom” em grávidas. Várias familiares, várias amigas e 2 colegas de trabalho. Todas as barrigas cresciam (e ainda bem) menos a minha. Foi terapia de choque acompanhar e ver nascer todos os bebés… olhar para eles e só ver o que eu não podia ter.
    Hoje, tenho o meu tesouro, o Gabriel com 8 anos. Que nasceu prematuro e quase o perdi.. e quase morri… mas tudo valeu a pena.
    Há datas que doem mais, como hoje por exemplo, faz hoje 10 anos que soube que estava grávida pela primeira vez… mas como diz a vida tem que seguir
    Beijinho grande para os 5

  74. Nao tive coragem de ler o texto até ao fim.
    Perdi a oprrunidaade de ser mae quando aos 35 (2016) anos apanhei uma infecção que me retirou os orgaos reprotutores. Era a operação ou morria.
    Ainda hoje recepo apoio psicologico. Nao consigo passar por mulheres gravidas e o choro dos bebes é como facas no coração. É um luto que tento vencer mas doi, doi muito…choro muito e pertunto me porquê…porque eu? Perdi uma parte de mim e tenho uma cicatriz de meio abdômen que me relembra todos os dias que nao posso ser mãe.

  75. Foi um dos textos com o qual me identifiquei mais assim que li. Também eu no dia 24 de Novembro de 2017 sofri um aborto, depois de quase dois anos a tentar para um segundo filho, esperava tanto aquele dia, a ecografia das 12 semanas quando senti que algo não estava bem e sentada a desejar que tudo fosse ilusão, era verdade o coração não batia… não vale a pena dizer isto acontece com muitas pessoas, é verdade! mas naquela situação só pensamos na dor, no vazio que sentimos.. depois de meses e meses de negativos, surgir um positivo e perder é uma grande dor. Só agora passado quase 1 ano é que sinto me capaz de pensar em tentar novamente, pois ainda é uma luta constante dr vontade de desistir. Mas todas temos o direito de ser felizes e acreditar que o nosso dia certo há de chegar, e por mais obstáculos que aparecerem eu vou conseguir, nós todas que lutamos vamos conseguir.
    Bjinhos Andreia

  76. Olá Andreia. Obrigada pelo testemunho. Passei por um aborto no início deste ano. No espaço de 15 dias soube que estava grávida e que o meu bebé não ia desenvolver-se. Bem sei que ainda não tinha chegado aos 3 meses mas para mim já era bem real. Foi um balde de água fria quando a médica me disse que não seria viável continuar e que teríamos de induzir o aborto. Foram os dias mais horríveis da minha vida, fisicamente e sobretudo mentalmente. Ainda não recuperei a 100 % mas espero que todo o esforço me brinde a mim e ao meu marido com uma criança. Afinal situações destas são bem mais comuns do que pensamos e só quem passa por elas sabe dar o devido valor.

    Muitos parabéns pela palavra que aqui deixou.
    Beijinhos,
    Sara

  77. E como a tua historia é tambem a minha, perdi tambem um 1 bebe as 7 semanas e fui invadida por um sofrimento como nunca pensei sentir. Foi em Dezembro de 2013. Em janeiro de 2015 engravidei do meu bebe arco-iris mas nunca me permiti ficar muito feliz pois tinha medo do que pudesse acontecer, felizmente correu tudo bem e nasceu o Duarte atraves de um fiv engravidei a 1. Quando o Duarte completou 13 meses engravidei outras vez , novamente atraves da fiv porque tinha embrioes congelados desta vez da minha Maria uma gravidez dificil mas gracas a Deus no fim correu tudo bem. Hoje tenho o Duarte que faz 3 anos em outubro e a Maria que faz 14 meses. Fico feliz por teres partilhado a tua historia.

  78. Revi me tanto…é mesmo isso, sorrir no exterior quando por dentro ninguém sabe…perdi o meu às 9 semanas, fizeram duas tentativas de interrupção com medicação infrutíferas até acabar por ter que ir ao bloco..foi praticamente um mês num processo de perda do qual quase ninguém sabia…e ao longo deste mês ouvir “então quando é que vais ao segundo?”….é engolir em seco e forçar uma resposta automática…sim, as pessoas deviam ter cuidado com o que dizem, mesmo não o fazendo por mal…nunca sabemos o que está a acontecer com os outros..

  79. Saudações, Andreia. Tenho acompanhado o seu percurso enquanto figura pública e gostaria, desde já, de a parabenizar pelo mangífico trabalho que tem desempenhado nos vários projectos televisivos de que fez parte. Já sabia que tinhaum blog, mas ainda não tinha aqui entrado com olhos de ver. Hoje li este texto e fiquei absolutamente chocado. Não imagino o que será passar por isso, mas calculo que sejam momentos muito dolorosos e perturbadores. Como religioso que sou vou tê-la em conta nas minhas orações. Desejo, sinceramente, que a sua vida melhore e que com a força da Alice e do seu Esposo Daniel consiga deixar no passado esses pensamentos de momentos mais difíceis e alcançar momentos mais felizes e significativos. Que a graça de Deus esteja sempre consigo. Força e coragem! Beijinhos

  80. Foi quase arrepiante ler o seu texto…parecia que estava a ler a minha história, até à parte do segundo aborto pois o mesmo foi em Maio e só em Agosto consegui “fechar o capítulo” e ter permissão para voltar a tentar…e agora é tentar! O medo de que volte a acontecer, ficou cá e acho que não vai desaparecer durante toda uma próxima gravidez!
    Obrigada pela partilha, saber que não sou única, que efetivamente a médica tem razão e é perfeitamente normal acontecer, saber que há tantas mulheres que passaram pelo mesmo e não estão só a dizer-nos aquilo para animar, apazigua o medo, nem que seja só um bocadinho❤❤

  81. Olá Andreia.
    Revejo-me em muitas destas emoções e sentimentos. De alguma forma este teu testemunho faz-me ganhar ânimo e ser forte. Ainda é tudo muito fresco para mim..no início deste mês descobri que estava grávida de 6 semanas e na passada quinta-feira com 9semanas sofri um aborto. O coração do meu bebé não batia. Tive a melhor notícia do mundo e pior em tão pouco tempo. O sentimento de perda é enorme e ainda estou fisicamente e psicologicamente debilitada mas quero acreditar que vou ultrapassar esta dor,esta perda.
    Nenhuma mulher deveria ter que passar por esta dor.
    Obrigada pela partilha. ❤️
    Espero ter num futuro próximo uma Alice para me tirar esta angústia e receios.

  82. Também eu este ano tive uma Alice. Também passei por uma perda semelhante. Na altura, no dia,dize-nos que não é nada. Era pequenino… Ainda nem era um bebê. Mas as horas passadas numa marquesa de hospital, á espera que ” aquilo que não é nada” seja retirado de dentro de nós são duras.E aí sim. É impossível não nos desfazermos em lágrimas. O tempo sem dúvida que ajuda a superar, mas as memórias voltam sempre.

  83. Que choradeira! Há quase 5 anos que tentamos ter um bebé. Há quase 5 anos que o médico que me seguia dizia “tens tempo.Ainda és jovem”, e eu sempre a insistir. Até que chegou o dia 13 junho 2017, exatamente um mês depois de ter casado. Uma hemorragia enorme e um mau atendimento na maternidade. Ninguém me quis dar conversa quando perguntava. “És nova.” Sempre a mesma conversa, com assim já tenho 33 anos. Sofri. Berrei. Porque sabia que já havia um ser dentro de mim… e que o tinha perdido sem mesmo antes de o ter conhecido… Foi dos piores tempos da minha vida. Valeu o apoio do meu marido que tem sido incansável. Mudei de médico, e neste momento estou a ser muito bem acompanhada. Espero em breve conseguir realizar o meu sonho, o nosso sonho. Mas o que custa mais em toda esta situação é mesmo a opinião dos outros. Se para os médico eu sou nova, as pessoas à nossa volta dizem que já é tarde , “estás à espera de quê?!”. Sei que a maior parte das vezes não é por mal, mas por favor não perguntem. Não sabem o que se passa por trás daquela porta. Quantas vezes sorrio e tal como a Andreia por dentro estou um trapo, ferida, doente… Obrigada pela partilha Andreia. Cada vez gosto mais de si 🙂

  84. Olá Andréia é arrepiante ler o teu testemunho quem ainda não passou por uma perda não sabe o que é. Eu simplesmente identifico me já estou a tentar engravidar há muitos anos e num nada sem saber este mês perdi o meu filho que seria muito desejado o mundo desabou sobre. Muitas felicidades.

  85. Gostei muito do seu texto Andreia…como deve ter sofrido…mas sofrer em silêncio ainda deve doer mais…já tinha visto há muito tempo que era a uma guerreira….uma pessoa de que gosto e admiro e respeito sem a conhecer pessoalmente…Deus lhe guarde a Alice e se for caso disso que tenha ainda mais bebés ….pois acredito que tem amor que chegue para muitos…”quem ama cuida”…beijinho para si e para a pequena Alice que escolheu muito bem a mãe que queria ter!!! Obrigada pela partilha

  86. Andreia Rodrigues, eu não sou de “seguir” figuras publicas, mas você é tão diferente! Confesso que admiro-a pelo seu amor aos animais e pela causa animal, que é algo que também me move, mas hoje admito que admiro-a ainda mais…depois de ler este testemunho! Porque também eu passei por algo semelhante… mas há 13 anos. Hoje tenho também uma filha, e é exactamente isso: um amor incondicional para todo o sempre. Grande testemunho o seu, ajudará com certeza muitas outras mulheres a ganharem mais confiança, esperança e força! Felicidades para si e para a sua família*

  87. Olá Andreia , obrigada por essa partilha , posso partilhar também a minha experiencia mas um pouco diferente .

    Entao é assim , tenho 27 anos m e sou apaixonada completamente por bebes , desde nova que sempre tive o desejo sonho de ser mae , sempre tive aquele sonho de sentir o bebe na barriga de ver a barriga crescer

    a uns anos atrás soube que infelizmente esse sonho nao vai ser possivel derivado a problemas de coraçao . imaginas como fiquei nao é !

    a dor ainda cá está m principalmente quando tenho muitas pessoas sempre a perguntar quando tens um bebe , está na idade de ser mae etc. é triste as pessoas fazerem esses comentarios perguntas , nao sabendo se a pessoa pode oh nao ter filhos , oh até se quer ser mae

    um grande beijinho

  88. Lamento imenso as perdas que viveu (viveram enquanto casal), quão difícil é aceitar!
    Não sou mãe, nem em momento algum estive grávida…mas acredite que tenho muito receio de passar por situações semelhantes!
    Não consigo de todo imaginar a sua dor!
    Felizmente a Alice trouxe-lhe de novo o brilho ao olhar, não um brilho normal,mas o brilho de amor de mãe a si e de pai ao Daniel!
    Muitas felicidades para vós!
    Muito grata pela partilha, acredite que a mesma ajudará, sem qualquer dúvida, muitas mulheres que espalhadas por este mundo fora, na penumbra da noite choram as perdas sucessivas e sentem vergonha de não conseguirem mais uma vez!
    Um beijinho grande e muito agradecido 😘

  89. Revejo-me totalmente em cada palavra. Tenho 35 anos, há muito que desejava ser mãe, quando o positivo chegou, fiquei feliz, finalmente ia ter o meu bebe tão sonhado.
    Passado umas semanas descobri que eram dois, gémeos, duas meninas, fiquei tao feliz, mas também assustada, afinal duas crianças não seria fácil, tudo em dobro, e o dobro do amor.
    As semanas Ian passando, estava tudo bem com elas e comigo, até que as 16 semanas, sangrei e sem que esperar estava a abortar na minha casa de banho, eu ouvi a minha filha cair na sanita, foi horrível, se fechar os olhos ainda oiço….chofei, chorei muito, no hospital disseram-me que a minha outra bebé estava bem, mas não me deram muitas esperanças de que iria sobreviver muito tempo, porque nestes casos de aborto na gravidez gemelar, é raro o gemeo restante sobreviver. Fui para casa, descansei, tinha esperança e fé de que a minha bebê ia sobreviver, eu iria ter a minha menina nos braços, mas passadas duas semanas, mais sinais de aborto, fui para o hospital, a bolsa rebentou devido a uma infeção, a minha bebê estava viva mas em sofrimento, aconselharam-me a provocar o aborto e tive as dores do parto, doeu muito, mas a dor na minha alma era bem maior.
    Em casa, e apesar de todo o apoio, amor e carinho que tive, não conseguia parar de chorar, a culpa era minha, matei as minhas bebés, não fui capaz de cuidar delas, elas dependiam de mim e eu não fui capaz.
    Já se passaram alguns meses, estou conformada mas não há um dia que não me lembre delas, nem que sinta saudades delas.
    “Fui mãe e deixei de ser”.
    Minhas estrelinhas, estejam onde estiverem, a mãe amo-vos para sempre 😢💖💖💫

  90. Olá Andreia! Chorei com as suas palavras, porque me fez recuar alguns anos atrás quando perdi aquele que seria o meu primeiro filho! Depois de tanta dor, veio a luz dos meu olhos, a minha princesa , a Leonor, que hoje já é uma mulherzinha, 12 anos! Beijinhos e muitas felicidades para si e para a sua família!

  91. Obrigada Andreia pela partilha! Entendo bem o que passou,a minha experiência foi diferente, fiquei 5 anos sem conseguir ter filhos, mesmo com uma FIV (onde depositei todas as minhas esperanças) não consegui. Sentia-me menos que as outras mulheres, ouvia comentários horríveis, menos os bem intencionados magoavam! Foram 5 anos de dor, de tentar compensar com outras coisas a dor que sentia, mas sem a conseguir mitigar! Mas finalmente a natureza foi maior e em setembro de 2017 soube que estava grávida, mas tal como a Andreia, não consegui festejar como devia, foi até ao nascimento um medo enorme de que algo corresse mal. Posso dizer que não houve uma única vez em que tivesse ido à casa de banho durante 9 meses e que não fosse com medo de ver sangue… Mas em Maio o meu filho mais desejado chegou! E a sensação é exatamente como diz… não podia ser outro filho, era este que me estava destinado! É o amor da minha vida! Felicidades Andreia, para si,para a Alice e para o Daniel! Isto torna-nos mais fortes, não mais fracas! ❤❤❤

  92. Li este texto em lágrimas, perdi as minhas filhas o ano passado com 22 semanas de gestação sei a dor que é e não existe qualquer palavra para a descrever ,o que sentimos só nós sabemos.
    Só quando temos os nossos filhos nos braços é que temos todas as certezas do mundo.
    Um beijinho grande nesse coração ❤❤

  93. Olá Andreia! Somos tantas a partilhar destes momentos menos bons da nossa vida… No final de contas sabemos que apenas faziam parte do nosso caminho.
    No meu caso já sofri 3 abortos. Dois antes do primeiro filho e um antes do nascimento do segundo. Hoje quando olho para eles, com 14 e 12 anos, penso muitas vezes tinha que ser assim. Quando sofri o meu segundo aborto lembro-me do meu obstreta me ter contado a história de uma senhora que só conseguiu ser mãe à décima vez. Não sei se para me animar, para não me fazer desistir ou apenas para contar a história de mais uma heróina… Seja como for, sei que me fez pensar que desistir nunca ia ser opção. As coisas melhores da vida nem sempre são as mais fáceis, pois não?

  94. Adorei o texto, parabéns por partilhar uma história tão comum a tantas mulheres, mas só consegue a consegue compreender quem já passou pelo mesmo, nem que seja só uma vez. Goze bem a melhor fase dos nossos filhos. Bjs

  95. Obrigada Andreia por esta partilha tão sincera.
    Depois de uma gravidez saudável há 9 anos atrás, este ano vivi o pesadelo de estar grávida de um bebé com trissomia 18 e só ser descoberto às 21 semanas. Ele faleceu a 15 de Junho, não tive opção de esconder o que aconteceu, porque já estava numa fase muito avançada, mas agora sei que no meio do pesadelo há um lado bom… Descobri que existem varias mulheres à minha volta que já perderam filhos, que já sofreram dores semelhantes e de certa forma, ajuda-me a não me sentir sozinha neste luto, nem me sentir incapaz ou diferente das restantes.
    Ainda bem, que como figura publica, tenta normalizar um assunto tabu, como este.
    Felicidades para os três.

  96. Uma mãe nunca deixa de o ser! Independente dos obstáculos ou percalços da vida.

    A tua história é como a de tantas outras mulheres. Tu, felizmente, tiveste um final feliz que muitas gostariam de ter…

    Aproveita porque quando deres por ela a tua Alice já caminha e passa a ser mais do mundo e menos dos pais 🙂

  97. Nunca fui de publicar comentários, apenas gosto de ler… mas desta vez não consigo ficar indiferente porque apenas quem passou pelo mesmo vai compreender o significado de cada palavra e
    cada sentimento que descreves. E depois de tudo pelo que passamos a gravidez das nossas princesas nunca foram o que poderiam ter sido, porque cada dia, cada dor, cada movimento, cada eco é uma continuidade de um misto de sentimentos que se contradizem. Depois de ter passado por um aborto às 12 semana, que apenas na eco soube que já não tinha vida, tenho agora duas princesas que são a minha vida. A vida segue mas não esquece… Muitas felicidades para vocês a para a vossa princesa Alice!

  98. Olá Andreia,realmente ninguém fazia ideia do que lhe aconteceu,comigo passou se o mesmo e as pessoas sempre a perguntarem,não tens filhos não queres ou não podes,sempre a darem palpites . Tenho 42 anos fui mãe aos 41,a 13 de Outubro de 2017. A minha Daniela está quase a fazer um ano e tenho muitas saudades de andar grávida porque eu não vivi a minha gravidez com medo de perder a minha filha que sempre foi o meu sonho,e mesmo agora continuo com esse medo. Tenho uma filha espetacular e aproveito todos os bocadinhos com ela até porque o tempo passa rápido. Felicidades é o que lhe desejo. Beijinhos

  99. Olá Andreia, também passei por isso 2 vezes, estou grávida de novo e com muito receio. Acho admirável cada vez mais mulheres falarem disso, é importante não considerar esse assunto como tabu. Mas é na altura que as coisas acontecem que precisamos do apoio dos amigos e familiares e não devíamos ter que andar a sofrer por dentro e a rir por fora. Por isso contámos logo aos familiares mais próximos, o que tiver de ser será, infelizmente não controlamos. Na Mac foi-me dito que 80% das mulheres sofrem abortos, sim é esta a realidade. Felicidades com a tua princesa linda.

  100. Adorei, infelizmente também passei pelo mesmo 2 vezes mas agora já tenho um menino com 1 ano!Já tinha um de 5anos. É tão bom. Devemos sempre acreditar

  101. Andreia, como me identifico consigo e com os sentimentos envolvidos, hoje tenho dois belos rapazes um com 22 e outro com 14, sou mãe, orgulhosa, amo como nunca serei capaz de amar, como digo eles são a única coisa nesta vida que é MINHA! Sorrir quando a vontade é gritar e chorar, viver o dia-a-dia nada transparecendo e por dentro estar destroçada, magoada, desiludida, sem forças…somos tantas a passar por isto e muitas vezes são as próprias mulheres que nos magoam com palavras descabidas e sem sentido, ainda hoje me dói falar da perda (no meu caso tinha quase 5 meses) é uma ferida que cicatrizou mas não fecha nunca!!! Mas como mães temos de seguir em frente e agradecer o que a vida nos deu, seja feliz 🙂

  102. Tive duas perdas no último ano, a última em Janeiro deste ano, estava de grávida de 14 semanas, quando passa a marca dos 3 meses parece que respiramos de alívio, só que não, cai-nos o céu em cima, quando se ouve, já não há batimentos… Deixamos de ser especiais, voltamos à normalidade, os porquês atormentam-nos a cabeça, e no meu caso um aborto retido, ainda tive de fazer cirurgia passado 5 dias, 5 dias que vivi sabendo que o meu bebé estava morto dentro de mim, fiquei muito traumatizada 😓, hoje estou grávida de quase 15 semanas, e o medo da perda é terrível, como diz o ditado “nem me cabe um feijão…”, a ver vamos com a fé que Deus me dê esta graça em Março de ter o meu tão desejado bebé nos braços

  103. Andreia como me revejo no texto. Tive 2 abortos espontâneos, o primeiro na véspera de aniversário do meu namorado. Hoje estou de 39 semanas e 4 dias quase a conhecer a minha pequenita. É sim é verdade quando começamos a falar do que se passou connosco chegámos á conclusão que muitas não o fazem por medo, que tantas já passaram pelo mesmo.

  104. Passei pela dor da perda apenas uma vez, mas a dor é a mesma e fica para sempre…existe o” podia ser assim..”
    Hoje não tenho um mas sim 3 rebentos, com idades muito diferentes: 16 , 10 e 18 meses.
    O mundo exige de nós a maternidade, mas a verdade é que a nossa essência também….somos mulheres, brincamos com bonecas quando fomos meninas e sonhamos ter o NOSSO bebé no colo. Obrigado pela partilha. A vida coloca-nos às vezes pedregulhos no caminho, mas quando os avançamos descobrimos que somos fortes e partimos para os novos desafios e depois vêm as bênçãos. Parabéns pela Alice e muuuitas felicidades. Aproveitem muito….o tempo voa.

  105. Olá Andreia, exatamente como diz: tinha que ser assim, para ser assim.
    Não querendo entrar em crenças religiosas, nem muito menos, só gostaria de expressar a minha humilde opinião de quem nada sabe.
    Mas gostaria de lhe dizer que se lhe serve, de algum modo de consolo, se é que isso é possivel, dizer-lhe que para que hoje a Andreia tive esse lindo anjo nos seus braços, antes tiveram que passar outros dois para preparar a chegada.
    Pode parecer estupido, mas assim é, o corpo da mulher é um canal energetico muito poderoso, e muitas vezes ainda não esta preparado para aceitar um filho, então haí entram os seus anjos, que supostamente foram perdidos, mas não.
    Eles fizeram o seu trabalho e depois partiram com a missão comprida. Talvez lhe custe mas agradeça a esses anjos pelo amor que lhe deram ao preparar-la para a sua nova missão.
    O de ser mãe…
    E inclua esses filhos no seu coração, com todo o amor que só uma mãe conhece, se possivel um dia diga a sua Alice, que ela é a terceira filha de um grande amor.
    Espero que não fique chocada pelo meu comentario, eu simplesmente entendi, qual o significado de uma mãe abortar. Um abraço muito forte de uma mãe, para outra mãe.

  106. Palavras sentidas que nos fazem pensar bem, no meu caso não aconteceu, não sei o dia de amanhã mas também é uma mensagem para darmos mais valor a pequenas coisas que damos por garantidas.. E obrigado mais uma vez, tenho a certeza que ajudou e irá ajudar mais pessoas nessa situação. Grata

  107. Muito bonito só quem passa sabe dar valor é uma dor tremenda,horrivel tiraram-nos tudo assim de um momento para o outro, infelizmente passei pelo mesmo,e ao fim de 1 ano veio a minha filhota
    Parabéns Andreia tudo de bom para vocês um bem aja..

  108. Olá Andreia, também a sigo há muito tempo e é a primeira vez que comento, talvez devido à sensibilidade do tema. Efetivamente acho muito importante partilhar esta experiência para que se saiba que isto acontece a muito a gente e principalmente para que ninguém se sinta sozinha. O meu caso é daqueles mais bicudos que se prende com problemas de fertilidade. Mas um dia, quem sabe, pode ser que consiga. Obrigada pela partilha e muita saúde para a sua bebé 😊

  109. Olá Andreia 🙂
    Enviaram-me o seu texto à pouco e por momentos fiquei meia baralhada a pensar em quem estaria a escrever a minha história. Bate tudo certo…. a primeira alegria logo seguida de um grande desgosto, e a repetição da mesma história exactamente um ano depois. A única diferença é que a sua Alice já nasceu e a minha, se Deus quiser, estará nos meus braços logo no início do próximo ano… sim, porque a minha também é uma Alice!
    Muito obrigada pela partilha e por expressar de forma tão clara um problema que afecta tantas e tantas mulheres.
    Que a vida vos sorria muito e que as nossas Alices sejam sempre muito felizes *

  110. Olá Andreia, também passei por isso 2 vezes, estou grávida de novo e com muito receio. Acho admirável cada vez mais mulheres falarem disso, é importante não considerar esse assunto como tabu. Mas é na altura que as coisas acontecem que precisamos do apoio dos amigos e familiares e não devíamos ter que andar a sofrer por dentro e a rir por fora. Por isso contámos logo aos familiares mais próximos, o que tiver de ser será, infelizmente não controlamos. Na Mac foi-me dito que 80% das mulheres sofrem abortos, sim é esta a realidade. Felicidades com a tua princesa linda.

  111. Olá Andreia, acabei de ler o teu texto e não o consegui ler sem sentir um aperto.. em Fevereiro deste ano engravidei, uma gravidez planeada e muito desejada.. E que felicidade, contei a toda a gente, apesat dos avisos e conselhos para não o fazer até às 12 semanas.. Ignorei, a alegria não me cabia no peito, contei, contei e contei.. No dia 26 de Abril fui fazer a minha primeira ecografia.. Eu sentia-me diferente, já não tinha sintomas e sinais físicos que tinha previamente, mas pensei que seria alteração de trimestre.. Infelizmente não foi…
    Quando a médica iniciou a ecografia percebeu de imediato que algo não estaria bem, olhou de imediato para o meu marido que entendeu, mas eu não.. o meu coração disparou.. foi então que ela insistiu e confirmou que o meu bebé já não estava ali.. o meu bebé já não tinha vida.. senti o meu mundo cair, os nossos sonhos, os nossos projetos, tudo perdeu vida com aquela notícia.. Saí de lá e liguei de imediato a chorar pra minha médica, e ela recebeu-me de imediato, e mais uma vez a ecografia para confirmar o que já sabia.. Foi uma noite desesperante, a noite antes de ir a bloco.. o estar no bloco à espera, o facto de num minuto termos o nosso bebé e no outro deixamos de o ter..
    Depois disto foi o contar às pessoas, aos amigos.. Ao contrário de ti, eu fiquei um mês em casa, senti que precisava, senti que não tinha capacidade de encarar as pessoas, não tinha capaidade de responder a questões, não conseguia ouvir dizerem-me que “era normal acontecer com o primeiro”.. Para mim não era normal, eu não tinha feito nada de errado, porquê me acontecer?? Tive de fazer assim o luto, as alterações corporais que mesmo numa gravidez tão precoce se sentem, os sonhos, os planos,.. foi o meu luto que tive de fazer no meu espaço só comigo e com os meus..
    Neste momento estou grávida novamente, e todos os dias é mais um dia com o meu bebé, apesar de feliz, não consigo estar eufórica, porque tal como dizes, é uma alegria contida pela angústia, pela ansiedade, pelo medo da perda.. Somo cada dia com o meu bebé e desejo avidamente o dia em que estará nos meus braços, assim saberei que é real..
    Obrigada pelas palavras, revi-me em cada uma delas..
    Um Beijinho para vocês, tens uma família especial💖

  112. Foi uma ótima decisão escrever este texto, pois partilha o que muitas de nós sentimos. Tive a mesma aprendizagem de me conter nas palavras e tentar ensinar o mesmo a quem está ao meu redor, pois também num processo de aborto (o qual escondi de todos, só país e marido sabiam) no trabalho tive 3 colegas grávidas, que me escolhiam carinhosamente para ir com elas ver a sua 1.ª ecografia, ouvir o primeiro bater, “quando decides ? Já está na hora olha só” “porque choras ? Ela emotiva-se facilmente, mesmo sentimento materno” mal sabiam elas que durante aquele tempo eu sofria muito por dentro, o processo é muito doloroso fisicamente e psicologicamente. Sempre tento canalizar as boas energias e sei que nada acontece por acaso, mas muitas das vezes me perguntei o porque de ter que viver toda aquele situação numa altura tão frágil. Ainda não sou mãe, na altura foi algo inesperado, mas neste momento deixo nas mãos do destino 💕 e espero que a minha história seja também de orgulho quando tudo correr bem. Obrigada querida Andreia 💋

  113. Olá Andreia! Revejo-me em todos as palavra, todos os medos, todo esse sentimemto que só “nós ” conseguimos sentir… Posso mesmo dizer que cheguei a ir ao fundo do poço! Foi muito duro é uma dor que não se consegue explicar… hoje sou feliz tenho comigo o meu maior tesouro e hj sei que tudo valeu apena… como nós existem outras tantas mulheres na mesma situação! Obrigada pela partilha tenho a certeza que vai ajudar muitas mulheres nesta fase tao difícil! Beijinhos e muitas felicidades

  114. Andreia obrigado por partilhar um bocadinho do seu percurso de vida. quem anda pela net nos FB e afins já esta um bocado saturado de blogs com coisas fofas e sempre muito bonitas.
    eu também sei que sendo a Andreia uma figura publica não se pode dar assim “há morte” pois pela net há mais pessoas a quer mal do que bem. mas neste texto percebe se que a Andreia é um ser humano e também tem, teve e terá dissabores na vida como todas nós mulheres. mas isso nunca faz de nos piores até bem pelo contrario faz de nós mulheres mais maduras e mais fortes para o que pudera vir por ai. Nunca mas nunca deixe de acreditar que é capaz porque se fosse fácil não era para nós mulheres.
    Que a sua menina seja muito feliz e que tenha muita saúde. e nunca por nunca deixe de acreditar.

  115. Que lindo Andreia!
    Ao ler este texto emocionei me! Não por ter tido qualquer perda mas.. Por ter muito medo de passar por isso… Tomo a pílula há muitos anos e sei… Sei.. Sei que será quase inevitável.. E esse, esse é um grande medo!
    Obrigada pela partilha um beijinho grande aos 3!

    1. Porquê inevitável? (e fazer referência a tomar a pílula há anos). Já tive várias ginecologistas e todas me diseram que não diminui a fertilidade nem provoca tais problemas como abortos espontâneos….

  116. Andreia. Que testemunho emocionante. Só demonstra o quão forte é. Tenho a certeza que vai ajudar muitas mulheres que passaram ou estão a passar pela mesma situação.
    Foi muito corajosa em partilhar uma parte tão íntima da sua vida. Obrigada por ser tão simples, sincera e um exemplo de força.

  117. Olá Andreia. Já a sigo à algum tempo mas esta é a primeira vez que comento. Infelizmente a sua história poderia muito bem ser a minha. Infelizmente sei bem o que é essa dor. Na primeira vez perdemos uma estrela com 6 semanas, “acontece, na primeira vez é natural” só que na nossa cabeça só surge o porquê nós… Mas pronto.. Nunca dissemos a ninguém, o luto é só nosso. Encaramos os dias com o amor da nossa cara metade e convence mo nos de que teve que ser.. No ano seguinte outro positivo, ficamos felizes claro, mas apreensivos. Passam as 6 semanas, mais umas quantas, ouvimos o coração uma, duas vezes, e o alívio corre sobre nós. Desta vez vai ser. Mas não foi, na terceira vez já não ouvimos coração. E pela segunda vez vamos para a sala de operações e sabemos o que é o acordar com o sentimento de vazio. O médico já quase faz parte da família, abraça nos e “uma a cada três mulheres acontece sem razão aparente” mas porque tivemos quer ser esse um? A cara metade não sabe fazer mais do que abraçar mas também a verdade é que é só mesmo isso que precisamos. Passados 7 meses outro positivo (com algumas injecções pelo meio) e neste momento estamos de 20 semanas. Todos os dias acordo com um aperto no peito mas confiante que o nosso príncipe/princesa estará um dia a chorar no meu peito. É verdade. É um drama (filme de terror) que só quem passa é que sabe, e ser tão desconhecido faz com que doa mais, não é vergonha, acontece mas dói. E todas nós deveríamos poder falar dessa dor sem a vergonha que ela nos faz sentir…

  118. Como me identifico com estas palavras.
    E aqueles comentários “em vez de terem bebés arranjam cães” .🙄
    Antes de me acontecer não conhecia ninguém que tivesse passado pelo mesmo. Depois quando partilhávamos a nossa história, já alguém teria passado ou tinha alguém próximo a passar pelo mesmo…

  119. Meu Deus, revejo-me em cada palavra, em cada sentimento. Tambem eu perdi 2 bebes…agora tenho o meu Rafael com quase 5 anos.A luz dos meus olhos a minha vida.
    Que nunca falte a esperança a nós mulheres.

  120. Adorei Andreia. Foi sem dúvida dos textos mais marcantes e sinceros que já li. É a realidade de tantas mulheres, e tu expressas-te isso na perfeição. Obrigada pela partilha e por mostrares que nem todos os sorrisos são sinônimos de felicidade!

    1. Olá Andreia
      Ainda bem que teve a coragem de desabafar sobre este assunto. Certamente que lhe fez algum bem.
      Eu passei pelo mesmo há 30 anos. Outros tempos. Maus tempos em que acusavam as mulheres de ter provocado o aborto e depois tratavam-nas mal.
      Como se alguém provoca um aborto aos 6 meses de gestação. Só pessoas muito más e perversas para ter esses pensamentos.
      Depois de horas de sofrimento nasceu a minha princesa mas… morreu passado poucos minutos.
      Quase não tive tempo de a ver tal foi a rapidez com que na tiraram de cima de mim.
      Com tamanha frieza foi me comunicado …
      ” .morreu. Já deveria ter um pouco mais de 6 meses mas vai ficar escrito que tinha menos tempo para não ter de fazer o funeral”
      A palerma de 20 anos, sozinha, apavorada e completamente perdida nem falou.
      Limparam-me e trataram-me sem uma palavra de conforto, muito a má vontade e colocaram-me numa enfermaria onde estava outras mães com os seus bebês recém nascidos e eu com os meus braços vazios.
      Nunca nada me doeu tanto como aqueles 2 dias no hospital
      Resumindo, bom para casa e cada vez estava mais doente. Fui parar a outro hospital por indicação do meu médico particular pois estava com uma infecção enorme.
      Tinham deixado bocados de placenta dentro de mim.
      O azar ainda não tinha acabado.
      Um dia inteiro em jejum à espera de ser intervencionada pelo meu próprio médico, pensava eu. Não, fui atendida por um bando de internos ansiosos por aprender e meter a mão na “massa”.
      Correu mal. Rasparam demasiado que quando o útero cicatrizou colou. Por mais que tentasse engravidar não conseguia. Finalmente outro médico descobriu o que se passava com o meu útero.
      Mais uma intervenção cirúrgica para resolver o problema. Continuava a tentar engravidar.
      Nada. Tentamos fertilização in vitro. Finalmente…
      Tinha mais um anjinho no meu útero. Com este ia ter imenso cuidado. Se tivesse de ficar de cama 9 meses eu ficaria.
      Nada me foi dito nesse sentido.
      Passado uns dias uma dor estranha nas costas. Sangue … hospital e mesmo pesadelo.
      Sou das que tem o colo vazio.
      Já lá vão 34 anos e ainda choro muitas vezes.
      O meu colo está vazio mas tenho dos anjos no céu que me guiam todos os dias e olham por mim senão já cá não
      estava pois no meio disto tudo meu marido decidiu construir família com outra pessoa.
      Sim sinto-me incompleta, culpada porque não consegui gerar uma crianca dentro de mim.
      Ainda não acabou.
      Há dois anos depois de tantos problemas ginecológicos tive de ser novamente internada para fazer histrectomia total.
      A minha saúde melhorou muito mas meu coração
      Continua pequenino e triste.
      Deus abençoou os vossos filhos e vós nunca vos esqueçam de os abraçar e amar.
      Eu infelizmente tenho o colo livre.

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